domingo, 12 de dezembro de 2010

Indústria faz hora extra para atender demanda

Deu em O Globo

Depois de a economia brasileira ter crescido menos no terceiro trimestre, a indústria acelerou seu ritmo no fim do ano.

De olho nas vendas de Natal, empresas dos mais variados setores têm corrido para atender ao aumento do consumo.

Na nova programação, estão a suspensão das tradicionais férias coletivas, o adiamento da manutenção programada de máquinas (que também costuma ocorrer nessa época do ano), a criação de novos turnos e horas extras.

Normalmente, as indústrias param no fim do ano porque o varejo faz suas encomendas para o Natal só até outubro. O que é fabricado depois vira estoque e abastece as lojas nos primeiros meses do ano. Mas neste Natal será diferente:

- A dinâmica da economia hoje é outra, e exige produção neste período em que tradicionalmente há redução no nível de atividade industrial - diz Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). -

É uma novidade em certa medida muito boa, e os trabalhadores terão de se adaptar.

A novidade veio embalada no forte consumo das famílias brasileiras, que este ano, até outubro, já cresceu 6,9%, segundo informou o IBGE esta semana.

Por causa disso, do ABC paulista ao polo industrial de Manaus, sindicatos e empresas negociaram folgas compatíveis com a realidade de cada setor.

Em Manaus, as 200 empresas das áreas de eletroeletrônicos e duas rodas (motocicletas) e seus 30 mil trabalhadores acertaram um período menor de folgas, de apenas dez dias.

E, segundo o sindicato local, as demissões em massa, que eram comuns nesta época, não aconteceram. Folga só na véspera de Natal e Ano Novo

A fábrica da Sony em Manaus está operando em dois turnos, um a mais do que funciona normalmente. Benjamim Sicsú, vice-presidente de Novos Negócios da Samsung, ressalta que, com a economia mais aquecida neste trimestre, teve de abrir terceiro turno em algumas linhas, como celulares e o novíssimo tablet Galaxy:

- Este ano, já aumentamos a nossa mão de obra em 20%. Nossas fábricas estão em plena carga. O Galaxy, por exemplo, já falta em algumas lojas.

A fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, no ABC, dará dez dias de folga, mas seus empregados já os compensaram trabalhando alguns sábados ao longo do ano.

O mesmo fizeram os empregados da Embraer, em São José dos Campos, que também terão dez dias de folga.

Na Ford, também no ABC, a linha de montagem de carros vai parar pelo mesmo período, mas o pessoal de caminhões só folgará nos dias 24 e 31.

- São as agruras do crescimento. É um problema bom, sinal de que as empresas têm de investir para atender ao crescimento da demanda - diz Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

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