segunda-feira, 12 de março de 2012

Razão, emoção e polarização



Um nome de sabonete da década de 50 acompanhou por muitos anos a vida dos consumidores brasileiros: “vale quanto pesa”. O símbolo da balança, estampado na embalagem amarela, garantia a legitimidade do “sabonete das famílias” e reforçava o conceito de verdade, que o consumidor poderia constatar ao ver que não havia um grama de peso a mais ou a menos.

Como diz o vulgo, era uma época de “verdade verdadeira”. De lá para cá, a verdade perdeu substantivos e ganhou superlativos, como se pode ver no mote desses tempos virtuais: “vale muito mais do que pesa”.

Essa versão embala, hoje, a propaganda de carros e, até, de jogadores. Ronaldo, o fenômeno, em seus tempos de Corinthians, assim era carimbado: “vale mais do que o rendimento em campo”.

A teia de recordações cai bem no momento em que o Brasil se prepara para vivenciar mais um ciclo eleitoral. Breve, o superlativo dominará espaços midiáticos dos partidos, a verdade se cobrirá com as cores da ficção, os atores políticos deixarão o chão da política real para subir às nuvens da política virtual.

A passarela entre os dois universos será pavimentada por três tipos de argamassa, a serem dosados por candidatos, patrocinadores e equipes, de acordo com o jogo de conveniências: a razão, a emoção e a polarização.

O desfile da razão deixa ver, na linha de frente, a primeira mandatária, cujo perfil técnico é mais afeito às retas da política do que às curvas, conforme se depreende da intenção de se manter equidistante das campanhas, por ser “presidente de todos os brasileiros”.

O traçado retilíneo que a presidente esboça, extraído da cartilha cartesiana sobre a sua mesa, implica saber o que ocorre em todas as frentes e fundos da administração, cobrar providências de ministros, acompanhar a dinâmica das ações, eleger prioridades, não se curvar às pressões de natureza política, enfim, cumprir a ordem estabelecida.

Leia a íntegra em Razão, emoção e polarização



Gaudêncio Torquato, jornalista, professor titular da USP, é consultor político e de comunicação. Twitter @gaudtorquato

Nenhum comentário:

Postar um comentário