Blog de José Roberto de Toledo
Que o Distrito Federal é uma ilha da fantasia, sempre se desconfiou. Mas os
“Resultados gerais da amostra do Censo 2010″, divulgados nesta sexta-feira pelo
IBGE, transformam a suspeita em constatação oficial.
O rendimento médio nominal dos domicílios brasilienses é mais do que o dobro
do Brasil. A renda média de Brasília é R$ 5.663. A do Brasil, R$ 2.653.
A desproporção da riqueza da capital brasileira é um caso único, não importa
a referência. Em comparação a São Paulo, cujos moradores estão em segundo lugar
no ranking de renda do país, o Distrito Federal tem um rendimento médio 63%
maior - com a diferença de que Brasília só produz leis, decretos e
sentenças.
Pior, a renda dos brasilienses é, em média, quase três vezes maior do que a
dos maranhenses, donos do rendimento mais baixo do Brasil.
Essa disparidade da riqueza dos moradores da capital federal em relação ao
resto do país é incomparável em termos internacionais. Distrito federal
norte-americano, Washington DC também foi fundado para ser capital da República
e ocupa uma área restrita. Sua renda domiciliar é 13% maior do que a dos Estados
Unidos.
No Brasil, a desproporção é de 113%. Por comparação, Brasília tem 100 pontos
porcentuais de renda a mais do que o país que a circunda. Quais as razões de
tanto exotismo?
O principal motivo é que em Brasília os funcionários mais bem remunerados
definem seus próprios salários. E estes servem de referência para quem está
abaixo na hierarquia funcional.
Essa regra provoca uma – digamos - cachoeira para o resto do funcionalismo.
Como os servidores do topo da carreira de cada Poder são generosos com sua
própria remuneração, o efeito riqueza se espalha para boa parte dos domicílios
brasilienses.
Tanto é assim que o valor dos imóveis na capital varia em função da política
salarial do governo de plantão. Quando o funcionalismo tem seus rendimentos
reajustados, os preços das casas e apartamentos sobem junto.
Alguém pode argumentar que é injusto comparar uma cidade-estado, como
Brasília, com as demais unidades da Federação, que têm áreas muito maiores e
disparidades regionais muito mais acentuadas.
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