Ayres Britto diz que pretende usar o CNJ para esclarecer decisão do
Supremo sobre o tema
Lucas de Abreu Maia, O Estado de S. Paulo
Em uma tentativa de reduzir o número de decisões judiciais que resultam em
censura ou punição a jornalistas, o presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), ministro Carlos Ayres Britto, pretende usar o Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) - que também preside - para informar o resto do Judiciário sobre a
posição do STF acerca da liberdade de expressão.
“Eu pretendo, junto com os conselheiros do CNJ, desenvolver programas, quem
sabe até campanhas, esclarecendo o conteúdo da decisão do Supremo (que derrubou
a Lei de Imprensa, em 2009), que foi pela plenitude da liberdade de imprensa”,
disse, depois de fazer a palestra de encerramento do Seminário Internacional de
Liberdade de Expressão, nesta sexta-feira, 4, em São Paulo. “Quem sabe o nível
de intolerância social diminua.”
Nos dois dias do seminário, promovido pelo Instituto Internacional de
Ciências Sociais (IICS), especialistas avaliaram que, embora o Supremo venha
decidindo em favor do livre exercício do jornalismo, juízes de primeiro e
segundo graus por vezes ainda restringem a liberdade de expressão.
“Onde for possível a censura prévia se esgueirar, se manifestar, mesmo que
procedente do Poder Judiciário, não há plenitude de liberdade de imprensa”,
afirmou Ayres Britto. Para o presidente do Judiciário, o confronto de interesses
entre o livre exercício do jornalismo e o direito à privacidade
“inevitavelmente” se confrontarão. Ele garante, porém, que a Constituição
prioriza a livre expressão ao direito à privacidade. “A liberdade de imprensa
ocupa, na Constituição, este pedestal de irmã siamesa da democracia.”
Ayres Britto defendeu, contudo, uma autorregulamentação dos veículos
jornalísticos. Segundo ele, “a imprensa é o poder social por excelência”. “E é
por natureza das coisas que quem detenha o poder tenda a abusar dele”, disse. “O
poder social da imprensa também deve ser controlado, mas não pelo Estado. Isso é
um desafio da imprensa brasileira”, defendeu o ministro.
Para o presidente do STF, o amadurecimento da democracia levará a um
autocontrole dos veículos de comunicação e a uma maior exigência dos leitores,
pelo “evolver dos padrões de seletividade da nossa cultura”.
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