Petistas de Campina Grande entram em choque com senador Vital do
Rêgo
Maria Lima e Júnia Gama, O Globo
Pelo apoio do PP à pré-candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, o PT
nacional resolveu comprar briga com o presidente da CPI do Cachoeira, o senador
Vital do Rêgo (PMDB-PB), o que pode trazer dor de cabeça para o governo e o
próprio partido na CPI.
Segundo pessoas do comando do PT nacional, o partido resolveu romper a
aliança com o PMDB em Campina Grande, na Paraíba, comandado por Vital e seu
irmão, o atual prefeito Veneziano do Rêgo.
O rompimento deixou o presidente da CPI furioso e agora ele ameaça, nos
bastidores, unir-se ao PSDB e oposição nas votações da CPI, criando problemas
para o governo.
Em detrimento da aliança com o PMDB na cidade, o PT decidiu que o vereador
petista Peron Japiassu será candidato a vice-prefeito na chapa de Daniella
Ribeiro, irmã do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, responsável pela ida
do seu partido para a campanha de Haddad em São Paulo.
Segundo amigos de Vital do Rêgo, ele mandou recados até para a presidente
Dilma Rousseff e para o ex-presidente Lula, pedindo a intervenção dos dois.
Vital teria dado um prazo para que houvesse uma intervenção da Executiva
Nacional do PT em Campina Grande, como aconteceu em Recife.
Mas a interferência veio justamente para reforçar a aliança com o PP. Agora,
as relações do PMDB e PT, que já estavam ruins na CPI, podem azedar ainda
mais.
— Já está decidido. O PT vai apoiar a candidatura de Daniella Ribeiro em
Campina Grande, mesmo com a rebelião de Vital do Rêgo. O ministro Aguinaldo
Ribeiro teve um papel muito importante no anúncio do apoio do PP à candidatura
de Haddad — confirmou ao GLOBO um integrante da cúpula do PT nacional.
Pessoas próximas a Vital do Rêgo dizem que, no início, ele resistiu em
aceitar a presidência da CPI, mas decidiu encarar a tarefa acreditando que
aumentaria seu poder de pressão sobre o PT justamente nos meses que antecedem as
eleições municipais.
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