Se PP paulista anunciar apoio ao candidato do PT, partido terá mais tempo
na TV que Serra
O Globo
A três dias da reunião em que o PP anunciará a quem vai apoiar na eleição em
São Paulo, a concessão de uma secretaria no Ministério das Cidades ao deputado
Paulo Maluf (PP-SP) deixou o partido mais próximo de uma aliança com o PT do
pré-candidato Fernando Haddad do que com o PSDB do ex-governador José Serra. A
nomeação de um indicado de Maluf, o engenheiro Osvaldo Garcia, para comandar a
Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental foi publicada ontem no Diário
Oficial da União.
O ministério atribuiu a mudança a um “ajuste técnico de gestão”. Mas a
nomeação tem razões políticas. Foi uma saída encontrada por dirigentes nacionais
do PP, como o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, para tentar fazer Maluf
fechar um acordo com Haddad. Maluf, há meses, negocia com os tucanos as
condições de uma aliança com Serra. A reviravolta surpreendeu o grupo
serrista.
Garcia toma posse na próxima semana. Já o atual dirigente da pasta entregue a
Maluf, Leodegar da Cunha Tiscoski, foi transferido para a Secretaria Nacional de
Acessibilidade e Programas Urbanos.
A disputa pelo apoio do PP deve-se ao tempo que a sigla tem no horário
eleitoral gratuito, cerca de um minuto e meio. Ele definirá se será Haddad ou
Serra quem terá a maior propaganda na TV. Segundo integrantes da campanha
tucana, mais de uma vez Maluf garantiu a Serra o apoio, mas, quando procurado
para agendar o anúncio, recuou.
— Corremos o risco de não ter o PP na coligação — admitiu um auxiliar de
Serra.
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