Para divulgação, órgãos precisam regulamentar Lei de Acesso à Informação.
Os governos do Amapá e do Distrito Federal são os únicos do país
que já divulgam o salário de cada um de seus servidores, de forma
individualizada e com a identificação. Segundo levantamento do G1,
as outras 25 unidades da federação ainda não publicaram a remuneração
com os respectivos nomes dos servidores, maneira mais transparente e adotada
pelo Executivo federal como modelo para se adequar à Lei de Acesso à Informação.
Vários informaram que os serviços de informação ainda estão sendo implantados ou
regulamentados.
Em vigor desde 16 de maio, a lei obriga orgãos públicos a divulgar informações de interesse público. A forma da abertura dos dados, no entanto, depende da regulamentação. No final de junho, o Executivo federal divulgou os salários dos servidores federais e foi seguido por diversos tribunais. Na semana passada, porém, uma decisão da Justiça Federal suspendeu a divulgação a pedido de setores do funcionalismo.
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Durante duas semanas, o G1 entrou
em contato com cada unidade da federação para saber se e como está sendo feita a
divulgação de salários. No Amapá, por meio do Portal da
Transparência, é possível visualizar uma lista dos servidores com os
respectivos órgãos e cargos. O site é de fácil navegação e os nomes de todos os
funcionários aparecem em ordem alfabética. Professores temporários e ocupantes
de cargos comissionados também estão na relação.
Vianna afirma que o Portal da Transparência do Amapá foi responsável apenas por compilar os dados do governo. "Todas as informações sobre contratações e aumentos salariais já são disponibilizadas à população pelos Diários Oficiais. O que nós fizemos [no Portal da Transparência] foi só organizar essas informações em um só lugar", diz o auditor-geral.
No Distrito Federal, a Secretaria de Transparência
iniciou a divulgação nominal dos salários dos servidores do Executivo no dia 27
de junho, por meio do Portal
da Transparência.
A decisão do desembargador se aplicava apenas aos filiados ao sindicato – 13 mil dos 202 mil servidores ativos e inativos do GDF. Apesar disso, no último dia 3 o GDF retirou os nomes de todos os servidores, mantendo apenas os salários recebidos em cada cargo.
No dia 4, após nova decisão do TJDF contra a liminar concedida ao sindicato da categoria, todos os nomes foram colocados no ar novamente. Desde o dia 27 de junho até as 17h desta sexta-feira (6), o Portal da Transparência do GDF recebeu 1,9 milhão de acessos.
Divulgam, mas não
nominalmente
Seis governos estaduais (AC, ES, GO, PE, PR e SC) divulgam os salários, mas não com os nomes dispostos em lista. O Acre, por exemplo, possui página de acesso à informação, mas os salários são dispostos de forma indiscriminada – sem separar por cargos e nomes de servidores.
No site do governo do Paraná, a pesquisa é feita pelo órgão ou pelo nome do servidor – seja ele contratado em comissão ou por meio de concurso público. Ao localizar o profissional, a pessoa descobre o cargo que ele ocupa e a simbologia da função. Para saber qual é o salário correspondente para aquele cargo, ele deve acessar a tabela de vencimentos.
No site de transparência do governo de Pernambuco, os valores dos salários estão disponíveis por cargo, por classe, mas não por servidor. "Tem as vantagens pessoais, as comissões. Não temos ainda como disponibilizar os salários dos servidores nominalmente, mas até 31 e dezembro vamos nos adequar", disse o secretário da Controladoria Geral do Estado, Djalmo Leão.
O Portal da Transparência do Espírito Santo
divulgou o salário dos funcionários por cargo. Assim é possível saber a
remuneração de pessoas com cargo conhecido, como o governador, Renato
Casagrande (PSB) que tem subsídio de R$ 18,6 mil.
O G1 não encontrou nenhum Legislativo estadual que divulgue os salários nominalmente. Apenas quatro Assembleias (AM, PB, PE e PR) publicaram a folha de pagamentos.
Entrre as prefeituras de capitais, apenas a de São
Paulo divulga nominalmente o salário de seus servidores. A Prefeitura de
Palmas tem um site destinado a divulgação nominal, mas o G1 não
conseguiu acessar em mais de uma tentativa. Por meio de nota, a prefeitura
informou que está "desenvolvendo uma ferramenta de informática para
disponibilizar os salários".
A Prefeitura de Porto Alegre divulgou o nome e
salário dos servidores no Portal da
Transparência na segunda-feira (2), mas os nomes foram retirados nesta
sexta (6). A
medida atende determinação da juíza Rosana Broglio Garbin, da 4ª Vara da
Fazenda Pública de Porto Alegre, a pedido do Sindicato dos Municipários (Simpa).
A Procuradoria-Geral do Município (PGM) afirmou que vai recorrer da decisão.
Em relação às Câmaras de Vereadores das capitais,
o G1 encontrou os salários nominais apenas no site
da Câmara de São Paulo.
Entre os dez que recebem maior salário na Câmara, segundo levantamento do G1, cinco são consultores técnico-legislativos, em funções como biblioteconomia, contabilidade e revisão; três são técnicos administrativos; um é técnico parlamentar; outro é chefe da assessoria técnico-legislativa. O salário mais baixo entre os dez é R$ 18,2 mil. Não há nenhum vereador entre eles.
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