quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ex-diretor do Hospital Walfredo Gurgel desabafa: “a insensibilidade perdura e a maldade continua no campanário”

 

O PANORAMA POLÍTICO recebeu um comentário, que soa como grande desabafo, do médico e ex-diretor do Hospital Walfredo Gurgel, Sebastião Paulino.

Reproduzo na íntegra o texto, que comove e emociona, expondo a verdadeira afronta aos direitos humanos que vem sendo praticada pelos gestores da saúde.

Eis o texto:

Olá, Anna Ruth, meu respeito!

Parabéns pelo comentário! Em meio ao “caos”, já denunciado em verso e prova, com figuras, desenhos e rabiscos, o que mais me entedia é a indiferença e frieza que serve de alicerce para os verdadeiros responsáveis. Muito me dói apresentar as cenas que foram exibidas nos Telejornais de ontem à noite. São cenas do meu cotidiano. No entanto, ver tudo aquilo pela TV, na condição de mero espectador, depois de uma jornada extenuante de trabalho e ladeado de familiares, foi muito estranho.

Uma sensação de melancolia e impotência ensejou horas e horas de reflexão. Depoimentos emocionados de pacientes; o choro incontido de uma acompanhante; a revolta de quem, em sã consciência, gritava pela vida naquele pedaço chão…

Tudo me veio à memória, como um filme de terror, protagonizado por um vilão insano e avarento, contra quem não posso me insurgir. Vivi instantes de desvanecimento, de devaneios. Distante do meu ambiente de labor, descobri o quanto sou miúdo… Uma desprezível fagulha de qualquer coisa, com uma sensibilidade aguçada, que apenas pede socorro.

Não tenho força para evitar o “abismo”. O meu grito já não ecoa mais, nem mesmo em meio ao couro de vozes de uma velha cadência já tão sofrida. Das últimas noites, a noite passada foi longa em demasia.

Depois de tudo o que vivi ontem, ao ingressar no cadafalso de hoje, vislumbro o mesmo cenário de antes, com todos os atores e atrizes, em mais uma representação fatídica. Vejo o noticiário e percebo incontinenti que a insensibilidade perdura e a maldade continua no campanário. Venceu e continua incólume e imaculada.

Enquanto as horas se vão, o tempo vai sentenciando e sepultando os mais frágeis. E assim é a vida… Paciência! Um dia tudo muda. Nada é eterno. A própria vida é finita.

Sebastião Paulino da Costa

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