Blog do Carlos Santos
Derrota eleitoral de deputada ainda a deixou com bom "capital", mas que poderá se desmanchar logo
Qual o futuro do grupo da deputada federal Sandra Rosado (PSB) e da deputada estadual Larissa Rosado (PSB), após contabilizar a quinta derrota consecutiva à Prefeitura de Mossoró, neste ano?
Nas cinco últimas edições da disputa municipal, o esquema da atual governadora Rosalba Ciarlini (DEM) foi quem levou a melhor: com a própria Rosalba (duas vezes), Fafá Rosado (DEM), com dois êxitos eleitorais e agora a vereadora Cláudia Regina (DEM).
O grupo de Sandra perdeu em 1996 com ela, em 2000 com Fafá (que fazia parte do seu sistema) e nos anos de 2004, 2008 e este 2012, com a deputada estadual Larissa Rosado, sua filha.
Eleições de 1996 (Fonte: Agência Herzog):
- Rosalba Ciarlini (PFL) – 57.407 (52,64%);
- Sandra Rosado (PMDB) – 26.118 (28,50%);
- Jorge de Castro (PT) – 4.878 (5,32%);
- Valtércio Silveira (PMN) – 3.237 (3,53%);
- Brancos – 1.549 (1,69%);
- Nulos – 3.802 (…);
- Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 31.289 (24,14%).
Larissa ainda têm fôlego e ânimo para a quarta campanha consecutiva? E por que Larissa tem que ser candidata novamente a prefeito em 2016?
O “rosadismo”, base de onde nasceu a derivação do “rosalbismo” (neologismo relacionado à Rosalba Ciarlini), praticamente dividiu ao meio a preferência do eleitorado com o governismo, na eleição deste ano. Tem muito a lamentar, e alguma coisa a comemorar.
O estrago já foi maior. Mesmo assim, talvez seja a hora de parar e fazer um balanço dessas lutas, estratégias e se submeter a alguma reciclagem.
Os números das eleições 2012 não são dos piores, num comparativo com as quatro contendas anteriores, pois houve profundo decréscimo na vantagem que o rosalbismo vinha impondo a cada pleito.
Em 1996, Rosalba venceu Sandra com 24,14 pontos percentuais de maioria, ou seja, 31.289 votos. Em 2000, Rosalba elegeu-se pela terceira vez à prefeitura, atropelando a enfermeira Fafá Rosado (apoiada por Sandra), com 14.839 votos (14,19%). Em 2004, cooptada pelo rosalbismo, Fafá deixou Larissa Rosado (então no PMDB) em segundo lugar, com 23.075 votos de maioria (19,61%).
Já em 2008, a mesma Fafá reelegeu-se com 19.018 votos de vantagem (16%). Agora, Cláudia Regina, vereadora apoiada por Rosalba, bateu Larissa com 5.295 votos (3.93%). Dos males, o menor, não obstante a frustração de outra queda.
Eleições de 2012 (Fonte: Agência Herzog e TSE):Cláudia Regina (DEM) – 68.604 (50,90%)
Larissa Rosado (PSB) – 63.309 (46,97%)
Josué Moreira (PSDC) – 1.932 (1,43%)
Raimundo Nonato Sobrinho (Psol), “Cinquentinha” – 948 (0,70%)
Edinaldo Calixto (PRTB) – 0 (0%)
Votos Apurados – 143.853
Votos Válidos – 134.793 (93,70%)
Votos em Branco – 2.323 (1,61%)
Votos Nulos – 6.737 (4,68%)
Abstenções – 21.122 (12,80%).
Maioria de Cláudia Regina sobre Larissa Rosado: 5.295 votos (3.93%).
Os números atestam essa “divisão” de espaço em Mossoró, mas é uma conquista que pode ter efeito muito passageiro ou de valor meramente pontual, diante de desafios vindouros, como a própria campanha ao Governo do Estado em 2014.
Se a gestão de Cláudia Regina empinar e levantar voo, além da própria administração de Rosalba, esse “bolo” tende a sofrer novo desnível bem favorável ao governismo. E quem se lembrará de Larissa ou suscitará a tese de que ela seria um “nome bom” para prefeito? A volta de Larissa pode virar uma lenda, um sebastianismo do semi-árido.
Nas eleições que estão por vir, Sandra e Larissa vão ter que finalmente assumir sua porção oposicionista ou outra vez adotarem o risco da postura “meia-boca”, como fizeram nas eleições ao Senado em 2006 e ao Governo do Estado em 2010, em que Rosalba foi a vencedora. Precisam medir as consequências da escolha a ser feita.
Apoiaram Rosalba de forma velada em Mossoró em 2006, o que lhe garantiu meios para ser senadora contra o então senador e candidato à reeleição, Fernando Bezerra (PTB), supostamente o nome do rosadismo. Em 2010, praticamente cruzaram os braços para o governador e candidato à reeleição Iberê Ferreira (PSB). Rosalba elegeu-se.
Em ambas campanhas, as “duas bandas” Rosado firmaram aliança e acertos nos subterrâneos, que a chamada massa-gente não percebeu. Nem era para perceber. Ficou o faz-de-conta de disputas. Coisa de família, claro.
Nome a vice
Na contenda municipal, entretanto, o arranjo cantado em prosa e verso por algumas vozes, de que haveria “acordão” para eleger Larissa (por ser uma Rosado pura), não prevaleceu. Rosalba e seu marido, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), primo de Sandra, novamente impuseram derrota aos adversários e os deixaram a ver navios.
Importante que também não seja ignorado um nome novo no tabuleiro político: Cláudia Regina. Ela é a renovação e a oxigenação do rosalbismo, mesmo que contra a vontade dos seus líderes, que não a queriam como candidata, mas foram obrigados a aceitá-la.
Cláudia não é Fafá Rosado, que por maior esforço demonstrado para ter luz própria, vai terminar sua gestão como satélite de Rosalba.
Se o sistema de Sandra pensa mesmo em algum dia chegar à prefeitura, não será apoiando às claras ou furtivamente a reeleição de Rosalba em 2014 que conseguirá o feito. Ou será que acredita num apoio à Larissa em 2016, em troca dessa nova camaradagem?
Para 2014, se o rosadismo não enfrentar Rosalba, até mesmo viabilizando um vice na chapa oposicionista ao governo, lhe dará combustível adicional para a batalha provinciana de 2016.
Papai Noel na Lapônia ainda vá lá, em Mossoró, é piada sem graça.
* “Sebastianismo” é um lenda propagada em Portugal logo após o desaparecimento de Dom Sebastião (1554-1578), segundo a qual este rei, como um novo messias, retornaria para levar o país a outros apogeus de glórias e conquistas. Ele nunca reapareceu.


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