sexta-feira, 8 de março de 2013

Local do enterro ainda é mistério

Caracas (AE) - Milhares de venezuelanos esperaram durante mais de nove horas para poder ver pela última vez o rosto do presidente Hugo Chávez no velório instalado na Academia Militar de Caracas. O velório do presidente esteve aberto durante toda a noite e milhares de partidários, vindos principalmente dos bairros populares de Caracas e do restante do país, puderam prestar homenagens ao seu líder. Vários chefes de Estado também estão na capital, mas o local do sepultamento ainda não foi divulgado. Na tarde de ontem, o vice-presidente Nicolás Maduro afirmou que o corpo de Hugo Chávez deve ficar em exposição permanente.
miraflores/xinhua/aeEmocionados, venezuelanos se despedem do presidente Hugo Chávez, que morreu na terça-feira, após perder a luta contra o câncerEmocionados, venezuelanos se despedem do presidente Hugo Chávez, que morreu na terça-feira, após perder a luta contra o câncer

Durante quase toda a noite, simpatizantes de Chávez vestidos de vermelho desembarcavam de dezenas de ônibus próximo à Academia Militar, onde uma multidão esperavam em fila para ver o presidente pela última vez. "Esperei 10 horas para vê-lo, mas estou feliz, orgulhoso por ter visto meu comandante", afirmou Yudeth Hurtado, de 46 anos, soluçando. "Ele está plantado em nossos corações."

Em uma indicação da insegurança que assola o país, os venezuelanos eram revistados antes de passarem por um detector de metais e orientados a retiraram as baterias de seus celulares antes de entrarem na Academia Militar. Fotografias também foram proibidas. A televisão mostrou imagens do caixão semiencoberto sem, no entanto, focar diretamente no rosto do mandatário, que morreu terça-feira, aos 58 anos de idade, em decorrência de um câncer.

Porta-vozes do governo disseram que "o povo" e "os chavistas" querem que ele seja enterrado no Panteon Nacional, um edifício que era uma antiga igreja localizado no centro da capital e onde repousam os restos mortais de Simón Bolívar, símbolo da independência da Venezuela. Outros dizem que a família do chefe de Estado quer respeitar seu último desejo, que o Estado de Barinas, onde Chávez nasceu, seja sua última morada.

O mistério que rondou a doença de Chávez desde o inicio parece que não vai terminar com o enterro do líder da revolução bolivariana. A polêmica agora gira em torno da causa da morte. Ontem, o chefe da Guarda presidencial da Venezuela, José Ornella, afirmou que Chávez morreu de um ataque cardíaco fulminante. O jornalista venezuelano Nelson Bocaranda discorda e afirma que Chávez morreu após a decisão de desligarem os aparelhos de respiração artificial devido à piora do seu estado de saúde.

Em seu blog runrun.es, Bocaranda conta que, "desde a sexta, 22 de fevereiro, houve a intenção de retirar do paciente a ajuda mecânica respiratória, em vista das precárias condições de saúde" de Chávez. Conforme detalhou Bocaranda, após a decisão, "às 15:05:16 a ajuda respiratória foi eliminada para que (Chávez) morresse em paz às 16:25:05 em seu leito do Hospital Militar".

Já Ornella afirma que "Ele não podia falar, mas disse com os seus lábios... ´Eu não quero morrer. Por favor, não me deixe morrer´, porque ele amava seu país, ele se sacrificou pelo seu país", afirmou o general, acrescentando que o presidente sofreu bastante antes de falecer. Ornella não respondeu quando perguntado se o câncer havia se espalhado para os pulmões de Chávez.

Delegações chegam para o funeral

Caracas (AE) - Vários líderes latino-americanos já chegaram para o funeral. O presidente de Cuba, Raul Castro, desembarcou no aeroporto de Caracas na tarde de ontem. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, lidera uma delegação iraniana que veio prestar homenagens ao seu aliado. O líder iraniano elogiou Chávez, comparando-o a um santo e dizendo que ele vai retornar no dia da ressurreição. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador da Bahia, Jaques Wagner, acompanharam a presidente Dilma Rousseff na viagem a Caracas para o velório do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.

Pela Espanha, irá o príncipe Felipe, representando seu pai, o rei Juan Carlos que se recupera de uma cirurgia em um hospital de Madri, e o governo de Mariano Rajoy. O deputado democrata por Nova York, Gregory Meeks e o ex-deputado democrata Willian Delahunt, integrarão a delegação dos EUA.

Os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, da Bolívia, Evo Morales, e do Uruguai, José Mujica foram os primeiros a chegar à capital venezuelana para os funerais de Chávez. O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Elias Jaua, disse que 54 países devem enviar delegações, incluindo 22 chefes de Estado.

Dilma e Lula se despedem de Chávez

Brasília (AE) - O chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse ontem que o Brasil manterá uma relação "estreita" com a Venezuela, após a morte do presidente Hugo Chávez. Carvalho também afirmou que deseja que o povo venezuelano "possa encontrar o seu melhor caminho". "Não seria imaginável que a presidenta Dilma, frente ao padrão de relação que tivemos com o presidente Chávez no governo do presidente Lula e no governo da presidente Dilma, ela não fosse, tivesse presente (ao velório). Não só ela como vários representantes do governo brasileiro estão lá, acho que é mais do que merecida essa homenagem, e continuaremos, naturalmente, nessa relação estreita com o povo da Venezuela porque entendemos que a América Latina é uma unidade, um conjunto, precisamos caminhar juntos", afirmou, após participar de evento no Palácio do Planalto para discutir o Plano Brasil sem Miséria.

A presidenta embarcou por volta das 11 horas para Caracas, acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). A comitiva brasileira também é composta pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e deputados.

De acordo com fontes do governo, a viagem de Dilma à Venezuela é uma demonstração do compromisso da administração federal em reforçar laços com aquele país, num momento de transição. Ela deve retornar para o Brasil na tarde desta sexta-feira, depois do enterro do corpo de Chávez.

"Temos um reconhecimento ao processo que ele (Chávez) fez naquele país, tivemos e mantemos divergência numa porção de itens, pontos, de métodos, mas é reconhecida, sem dúvida nenhuma, a inversão de prioridade que ele fez naquele país. É uma outra Venezuela hoje, o povo, a reação do povo nas ruas é o maior indicativo daquilo que representa o Chávez para aquele país", afirmou Carvalho.

"Quando um povo chora e lamenta a perda de um presidente como está acontecendo na Venezuela, eu penso que os intelectuais, os analistas políticos devem estar atentos a isso porque significa que ele mexeu na qualidade da vida do povo, ele mexeu na estrutura social que havia naquele país e colocou, efetivamente, recursos públicos a serviço dos que precisam. Isso, numa América Latina que tem uma tradição de as elites mandarem, da imensa exclusão do povo, das tradições inclusive de ditaduras; isso é uma verdadeira revolução que aconteceu naquele país", disse.

Ele disse esperar que o povo venezuelano "possa encontrar o seu melhor caminho" após a morte de Chávez. "Esperamos que o povo venezuelano possa encontrar o seu melhor caminho, assim como a Bolívia está buscando, assim como nós do Brasil estamos buscando, nossa posição é de profundo respeito, de profundo reconhecimento a essa obra que esse presidente realizou naquele país e a inspiração que provocou inclusive em outros países da América Latina", declarou.

Barbosa impede viagem de Dirceu à Venezuela

Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, negou ontem pedido do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para ir ao enterro do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Dirceu está com o passaporte retido em razão da Ação Penal 470, o processo do mensalão, na qual foi condenado a mais de dez anos de prisão.

"A alegação de que o réu mantinha relação de amizade com o falecido por si só não é suficiente para afastar a restrição imposta pela decisão. Note-se que sequer se trata de relação próxima de parentesco", justificou Barbosa, em decisão de apenas três parágrafos. Barbosa ainda argumenta que Dirceu já foi condenado pelo STF "em única e última instância."

Assim como todos os réus do processo do mensalão, Dirceu está com o passaporte retido e precisa de autorização da Justiça para deixar o país. A medida foi tomada por Barbosa após analisar pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que temia a fuga dos acusados durante o julgamento.

Os advogados alegavam que Dirceu queria ir ao enterro devido à "relação de amizade" que mantinha com Chávez. A defesa ainda garantia que o político voltaria ao Brasil até 24 horas depois do enterro.

Na mesma petição, os advogados também pediam que a decisão individual de Barbosa sobre a retenção dos passaportes fosse submetida ao plenário do Supremo, o que ainda não ocorreu. Barbosa não se manifestou sobre esse ponto.

Dirceu não comentou a decisão de Barbosa. No entanto, militantes do PT postaram mensagens nas redes sociais questionando a proibição e lembrando que o STF não teve o mesmo cuidado com o banqueiro Salvatore Cacciola, condenado por aplicar golpes no sistema financeiro, que fugiu do Brasil para a Itália e só foi preso anos depois, em Mônaco.

Em seu blog, Dirceu postou um vídeo em que o publicitário João Santana "presta uma justa homenagem Hugo Chávez", disse ele.

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