sábado, 2 de março de 2013

Nada de Novo no Front, por Marcos Coimbra

 


Marcos Coimbra, Carta Capital

Apesar dos esforços em contrário de alguns comentaristas, o noticiário político do mês passado foi dos menos emocionantes dos últimos tempos. Bem que quiseram torná-lo interessante, tentando enxergar novidades onde nenhuma havia, mas não funcionou.

O que terminaram fazendo foi vender gato por lebre.

A tese que inventaram é que, em fevereiro, o sistema político deu a largada para a corrida eleitoral de 2014, algo que, se tivesse efetivamente acontecido, seria um fato relevante. Implicaria duas coisas: que não tinha começado antes e que estaríamos em campanha desde então.

Na opinião desses analistas, PT e PSDB, cada um a seu modo, teriam “precipitado” a eleição. Ao fazê-lo, teriam levado outras forças políticas a antecipar seus movimentos tendo em vista a próxima sucessão presidencial.






Só que nada de realmente significativo aconteceu.

Do lado do PT, a tal antecipação viria de Lula ter afirmado, na reunião de comemoração dos dez anos de governos populares, que Dilma era candidata. Que ela tinha todo o direito de disputar a reeleição e era a favorita para vencer.

Como diria Mino Carta, até o mundo mineral sabia disso.

Desde quando Dilma tomou posse, ninguém ouviu Lula afirmar algo diferente. Mais especificamente, nunca manifestou a vontade ou a intenção de ser o candidato de seu partido ano que vem.

Está claro que isso não quer dizer que seria impossível que o fosse, na hipótese de Dilma não querer ou não poder se reapresentar. Contando com a preferência de dois terços do eleitorado, o ex-presidente era, é e continuará sendo um forte candidato em potencial.

Só se surpreendeu com sua declaração quem andou apregoando o oposto, que Lula cultivava o “desejo secreto” de ser o candidato do PT em 2014. Esses, que acham que conhecem suas “motivações íntimas”, se esquecem do óbvio.

Na cultura política que desenvolvemos depois da adotar a reeleição - nunca é demais lembrar que por iniciativa dos tucanos, que pretendiam permanecer no poder por muitos anos -, apenas o administrador que fracassa deixa de disputar o segundo mandato. Com a exceção de Itamar Franco, que podia fazê-lo em 2002, mas se absteve por razões filosóficas (e assim abriu caminho para a primeira eleição de Aécio ao governo de Minas), todos os minimamente bem sucedidos o buscaram.

Tirar de Dilma essa possibilidade equivaleria a considerar que faz um péssimo trabalho e que não merece sequer a chance de pleitear a recondução.

Leia a íntegra em Nada de novo no front



Marcos Coimbra é presidente do Instituto Vox Populi de Pesquisas

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