sábado, 16 de março de 2013

Novos ministros de Agricultura, Trabalho e Aviação tomam posse

Em cerimônia rápida e sem discursos, eles somente assinaram termo.


DIlma agradeceu o trabalho de ex-ministros e defendeu coalizão no governo.



Felipe Néri e Priscilla Mendes Do G1, em Brasília


Três novos ministros do governo da presidente Dilma Rousseff tomaram posse neste sábado (16).
O deputado Antonio Andrade (PMDB-MG) assumiu o Ministério da Agricultura no lugar de Mendes Ribeiro (PMDB-RS). O secretário-geral do PDT, Manoel Dias, substitui o também pedetista Brizola Neto (RJ) no Ministério do Trabalho. Na Secretaria de Aviação Civil, o atual ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco (PMDB-RJ), assumiu em substituição a Wagner Bittencourt.
 
Os novos ministros Moreira Franco, Antônio Andrade e Manoel Dias em rápida cerimônia de posse (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)Os novos ministros Moreira Franco, Antônio Andrade e Manoel Dias em rápida cerimônia de posse (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)

A cerimônia durou menos de meia hora e não teve discursos dos novos nem dos antigos ministros - eles somente assinaram o termo de posse. A única a falar foi a presidente Dilma Rousseff, que agradeceu o trabalho dos antigos ministros e desejou sorte aos novos titulares das pastas.

O evento se deu sem as formalidades tradicionais de cerimônias de posse porque Dilma viaja para o Vaticano nesta tarde, onde participará da missa inaugural do pontificado do Papa Francisco.
Não acredito que seja possível esse país ser dirigido sem essa visão de compartilhamento e de coalizão."
 
Presidente Dilma Rousseff
 
Dilma afirmou, em discurso, que mudanças são necessárias para manter a governabilidade. A troca no ministério atendeu a pleitos de PMDB e PDT.
 
"Muitas vezes as pessoas acreditam que a coalizão do ponto de vista da política é algo incorreto. Estamos assistindo em alguns lugares do mundo processos de deteriorização da governabilidade justamente pela incapacidade de se fazer coalizões", disse, citando Estados Unidos e Itália. "A capacidade de formar coalizões é crucial para o país", disse a presidente.

Segundo Dilma, no comando do país, é preciso fazer opções. "Governar é necessariamente é escolher entre várias alternativas e por isso eu aprendi muito sobre o valor da lealdade entre aqueles que desenvolvem com a gente a tarefa de governar, o valor simultâneo da paciência e da urgência para cumpir prazos e metas e da sensatez nas escolhas do caminhos."

Ao fim, ela disse que o país não pode ser dirigido sem coalizão. "Não acredito que seja possível esse país ser dirigido sem essa visão de compartilhamento e de coalizão. Eu aprendi que numa coalizão você tem que valorizar as pessoas que contigo estão. Parceiros da luta", disse Dilma, que teve fala interrompida por aplausos.

O Mendezinho é uma pessoa de grande lealdade política e pessoal.Obrigada pelo seu trabalho. E Mendes, resista às dificuldades, porque nós no Brasil precisamos de você"
Presidente Dilma ao falar sobre o agora ex-ministro Mendes Ribeiro
 
Agradecimentos

Dilma se emocionou ao agradecer o ministro Mendes Ribeiro que, no exercício do mandato de ministro, enfrentou dificuldades com o câncer, assim como Dilma antes de assumir a Presidência.

"Sua colaboração comigo no governo só fez crescer o respeito que tenho com ele [Mendes Ribeiro], fruto da capacidade de trabalho do Mendezinho. O Mendezinho é uma pessoa de grande lealdade política e pessoal.Obrigada pelo seu trabalho. E Mendes, resista às dificuldades, porque nós no Brasil precisamos de você", afirmou. Mendes Ribeiro, então, chorou e foi aplaudido.

Em relação a Brizola Neto, afirmou que o agora ex-ministro "vai sempre contar" com ela. "Eu tenho certeza que, por hora, o Brizola deixa o governo, mas eu continuo contando com ele e posso afirmar que o Brizola neto vai sempre contar comigo. Tenho muito orgulho de ter tido o Brizolinha no governo na medida das minhas relações ao longo da minha história com o PDT e com o Brizola."
Dilma disse também que Wagner Bittencourt ajudou a estruturar a Secretaria de Aviação Civil.

 "Agradeço ao Wagner porque ele nos ajudou num momento muito difícil. Agora temos uma secretaria estruturada, nosso processo está caminhando. Agradeço a esse técnico do BNDES a contribuição que ele deu."

Em relação ao ministro Moreira Franco, que só mudará de pasta, a presidente destacou que ele terá novos desafios. "Do Moreira Franco não é necessário falar [...]. Confio que ele vai confirmar sua competência. [...] Espero também que o Moreira não pense que era feliz e não sabia. Eu tenho certeza que ele vai desempenhar na Secretaria de Aviação civil com a mesma competência que ele teve na Secretaria de Assuntos Estratégicos.”

A assessoria do Planalto informou que o atual secretário-executivo de Assuntos Estratégicos, Roger Leal, assumirá a pasta, mas não houve posse formal neste sábado.

Convite a novos ministros

A presidente afirmou que os ministros que entram têm "responsabilidade e obrigação de continuar trabalhando por um país mais justo".

"Faço um convite a todos eles [novos ministros]. É um convite ao trabalho. Sempre um convite ao trabalho. Eu tenho certeza que os brasileiros e as brasileiras esperam muito de nós e por isso o convite ao trabalho."
Presidente Dilma Rousseff discursa observada pelo vice-presidente Michel Temer (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)Presidente Dilma Rousseff discursa observada pelo vice-presidente Michel Temer (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)
 
Negociação de mudanças
No caso dos ministros do PMDB, as mudanças foram negociadas com Dilma pelo vice-presidente Michel Temer, principal liderança do partido. No do PDT, a troca é resultado de um conflito interno do partido - integrantes da cúpula da legenda eram contrários à presença de Brizola Neto no Ministério do Trabalho. Manoel Dias é o secretário-geral do partido, cujo presidente é o ex-ministro Carlos Lupi.
 
Dias é o terceiro ministro do Trabalho do governo Dilma, todos do PDT. O primeiro foi Lupi, que estava no cargo desde 2007, ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em dezembro de 2011, pediu exoneração do cargo após denúncias de irregularidades na pasta. Em abril de 2012, Brizola Neto (PDT) assumiu o ministério.
 

Com as mudanças (considerando a saída do atual ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos), chegam a 20 as trocas no ministério de Dilma desde que ela assumiu a Presidência. Em 2011, primeiro ano de governo, houve nove substituições e, no ano passado, outras sete.

Na semana passada, o Congresso Nacional aprovou a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que estaria destinada ao PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Mas ele teve um encontro com Dilma na noite da última quarta e disse à presidente que o partido ainda não pretende ingressar formalmente no governo, segundo informou o blog de Cristiana Lôbo.

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