Com os poços esvaziando, os fruticultores têm sido obrigados a se deslocar em busca de água para irrigar as plantações
Por Felipe Gibson
Secretário adjunto de Agricultura, José Simplício, fala das
perdas da agropecuária potiguar. (Foto: Eudes Leite)
Embora não se comparem às devastadoras perdas nas plantações de sequeiro – como arroz, feijão e milho – a fruticultura irrigada também tem sentido o baque da falta de chuva. Com os poços esvaziando, os fruticultores têm sido obrigados a se deslocar em busca de água para irrigar as plantações. A má formação das plantas, que crescem secas, é outro problema, pois surgem como ambientes propícios para o desenvolvimento de pragas.
O gestor da Unidade de Fruticultura do Sebrae/RN, Franco Marinho, cita casos como o município de Baraúna onde os poços são artesianos e possuem profundidades maiores, o que dificulta a vida dos agricultores na busca por água. “Até mesmo em Assu o lençol freático baixou muito e está prejudicando”, conta.
Dentre as frutas que estão na pauta de exportação do estado, a que mais sentiu a estiagem foi o caju. O secretário adjunto de Agricultura, José Simplício, calcula perdas de 70% no estado. Para ele, pesa o fato de a maioria das plantações de caju ser de sequeiro. “A castanha de caju depende de água. É um prejuízo parecido com o sentido em 1993, quando a queda na produção também ficou nesse patamar”, recorda Simplício, que também é produtor da fruta.
Franco Marinho, do Sebrae/RN, relata cenas tristes de agricultores que plantam caju. “Vi cajueiros virando lenha”, diz. Diante da devastação das plantações, tanto ele quanto José Simplício, concordam em uma coisa: a questão cultural pesa. “Existem possibilidades, mas acabam não sendo utilizadas. Há muito tempo se falam coisas como ‘deixe o milho, plante sorgo’. É cultural”, conclui o secretário adjunto de Agricultura.
As dificuldades não são exclusividade dos pequenos produtores. Em empresas maiores a seca teve seu impacto. Com 25 mil hectares de fruticultura irrigada distribuídos no RN, Ceará e Pernambuco, a Agrícola Famosa tem segurado o freio para novos investimentos durante a estiagem. “A preocupação tem sido em manter os negócios que já temos”, afirma o gerente comercial da empresa, João Leandro. As oito fazendas do grupo empregam 5.500 funcionários.
De acordo com o gerente comercial, a limitação para o crescimento está justamente na falta de água dos poços, que obriga a Agrícola Famosa a buscar a fonte de sua cultura irrigada em municípios como Pedro Avelino, a 130 quilômetros de Mossoró. “Em Pedro Avelino existem mais poços a explorar”, justifica. No ano passado, a Agrícola Famosa comprou uma fazendo em Inajá, município de Pernambuco, no entanto a ampliação prevista para esse ano não pode ser concretizada.

Nenhum comentário:
Postar um comentário