quarta-feira, 15 de maio de 2013

Água morro abaixo, fogo morro acima e governo quando quer, ninguém segura

 

Diógenes Dantas                     
 
Tem um provérbio bastante conhecido no meio do povo que diz assim:

"Água morro abaixo, fogo morro acima e mulher quando quer dar, ninguém segura".
A mesma coisa acontece com os governos na sua relação com as casas legislativas. Quando o governo quer, qualquer governo, ninguém segura.

É assim que a gente acompanha a maratona de sessões na Câmara dos Deputados desde segunda-feira. O governo federal estabeleceu como prioridade a aprovação da MP dos Portos, cujo prazo se encerra amanhã.

As novas regras para o sistema portuário são assunto polêmico porque mexe com interesses diversos - dos empresários, dos trabalhadores e, claro, dos governos. E já está na hora de o governo arrumar a bagunça que impera hoje nos portos do país, com problemas de infraestrutura dos mais variados e danosos para a economia brasileira.

A guerra é tão grande que descambou para a baixaria. Na semana passada, Anthony Garotinho, ex-governador do Rio, taxou a medida de "MP dos Porcos".

Ontem, ao rebater Garotinho, o ruralista atacou o ex-governador carioca chamando-o de "chefe de quadrilha". As cenas de pugilato verbal encantaram quem gosta de um barraco. E geraram indignação em quem não concorda com esse nível de debate.

Como se não bastasse, um deputado do baixo claro resolveu arriscar seus 15 segundos de fama [na verdade, má fama] ao levantar uma faixa de protesto contra a falta de investimentos em educação, se não me engano, diante de um boquiaberto presidente da Câmara, Henrique Alves.

Henrique Alves foi obrigado a encerrar a sessão porque a situação ficou fora do controle.

Depois que os ânimos serenaram, Henrique Alves retomou a maratona de sessões em favor do governo. E por conta disso foi criticado pelo mesmo Caiado que atacou Garotinho. Segundo o ruralista, a Câmara dos Deputados estava prestando um desserviço ao país se submetendo aos interesses do governo.

Henrique Alves retrucou dizendo que a Câmara estava se submetendo aos interesses da maioria do parlamento e não do governo.

Discursos retóricos à parte, o Congresso Nacional vota a MP dos Portos a toque de caixa porque a presidenta Dilma Roussef determinou.

E como as duas casas legislativas - Câmara e Senado - são presididas por políticos do PMDB, sócio do governo, faça-se o desejo da chefe do Executivo.

A presidenta Dilma Roussef tem sido bastante criticada nas negociações políticas com os congressistas. Ela detesta fazer o balcão de negócios com os políticos. Tem horror do varejo. E deixa para resolver tudo no atacado, às vésperas de votações importantes.

Foi assim na votação do Código Florestal. E agora se repete na votação da MP dos Portos.

Além de sair mais caro, o tempo voa. Dilma Roussef não tem nenhuma garantia que o Congresso Nacional vai cumprir o seu papel e votar a MP dos Portos em tempo hábil - até a meia-noite de amanhã.

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