Mostrando postagens com marcador Seca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seca. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ministro Fernando Bezerra anuncia que Bolsa Estiagem irá até o final de 2013

 Ana Ruth

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, afirmou que o pagamento do Bolsa Estiagem irá até o final de 2013. Mas ele ponderou que o benefício pode se estender caso a seca perdure.

“Essa situação está sendo monitorada direto por nós. Hoje a informação que chega é que as chuvas irão voltar a partir de novembro, então, se assim permanecer (a previsão) o Bolsa Estiagem ficará até o final do ano”, disse o ministro, que concedeu entrevista coletiva, em Brasília, da qual o PANORAMA POLÍTICO participa.

No Rio Grande do Norte, são 56 mil agricultores beneficiados com o Bolsa Estiagem. O programa chega a 154 municípios potiguares. A ação do Governo Federal soma R$ 35,4 milhões.

20130515-130838.jpg

terça-feira, 14 de maio de 2013

Nordeste pode receber até 6 mil carros-pipa

Secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, disse que para isso é preciso organização das prefeituras no momento de relatar a necessidade de ajuda.

Paula Laboissière, Agência Brasil,             
O secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, disse hoje (14) que a quantidade de carros-pipa destinados a combater a estiagem no Nordeste brasileiro pode passar dos atuais 4,9 mil para até 6 mil, mas pondera que é preciso organização das prefeituras no momento de relatar a necessidade de ajuda.

“O que a gente precisa é ter demanda. Às vezes, a informação que é repassada não confere com a realidade. Há falta de oferta de água? Não. O que, na verdade, precisa existir é uma demanda segura, para que a gente possa saber onde é que está precisando levar essa água”, explicou.

Viana ressaltou que o detalhamento das necessidades pelos gestores é importante para garantir a efetividade das demais ações implementadas pela pasta na região, como a oferta de milho para ração animal por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a implantação de cisternas.

“Todos esses programas estão sendo acompanhados e estão chegando à ponta. Essa rede de proteção que foi montada pelo governo nos dá a garantia de que estamos no caminho certo. Necessidade de ampliar e melhorar vai haver sempre, porque isso não é história que começou ontem. Temos um acúmulo histórico de problemas”, completou.

De acordo com o secretário, a presidenta Dilma Rousseff não definiu um período específico para que o pacote de combate à estiagem seja implantado. “Temos que compreender que há papéis nesse contexto – o da prefeitura, o do estado, o do governo federal e, sobretudo, o papel do cidadão. Se há pontualmente alguma área não atendida em um contexto de 10 milhões de pessoas afetadas, é preciso que a gente tome conhecimento disso de forma clara.”

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sertão: entre a esperança e o medo

Leandro Cunha e Roberto Lucena - Repórteres

O cenário no interior do Rio Grande do Norte mudou nas últimas semanas. A chuva que caiu em todas as regiões do Estado transformou a paisagem em poucos dias. O cinza da vegetação sem vida deu lugar ao verde que salta aos olhos, as nuvens surgiram e o cheiro de terra molhada anima os agricultores. À primeira vista, a impressão de que a severa estiagem deu uma trégua aos potiguares convence, porém essa ainda não é a realidade. As últimas chuvas amenizaram o sofrimento, mas não garantiram, por exemplo, o abastecimento dos reservatórios. Agricultores e pecuaristas temem que o período de chuvas seja muito curto e a “seca verde” castigue a produção.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn) registrou, até a última segunda-feira, um bom volume de chuvas em todo Estado. O maior acúmulo foi no município de Major Sales, a 427 quilômetros de Natal. Lá, o registro é de que já caiu 626,1mm de água. Na outra ponta da lista, está Japi, a 134 quilômetros da capital, onde choveu apenas 32,6mm. A chuva trouxe esperança para o homem do campo e foi a responsável pelo surgimento de pasto e sangria de pequenos açudes na região Oeste.

Mas as precipitações, até o momento, não chegaram a mudar de forma efetiva a realidade nos rincões do  Estado. Na última terça-feira, a TRIBUNA DO NORTE  percorreu parte do Seridó e região Central do RN e ouviu o relato de pecuaristas e agricultores. Há uma dualidade de sentimentos:

 esperança e medo. “A chuva deu uma aliviada. A gente não tinha nem onde levar o gado para comer. Agora, tem. Mas se não chover mais, tudo vai se perder”, resumiu Pedro de Brito, 49 anos, pequeno criador no município de São José do Seridó.

O criador estava, na manhã da última terça-feira, cuidando de oito cabeças de gado que comiam a vegetação rasteira que nasceu às margens da RN-288. “Vendi as outras nove cabeças de gado que tinha. Ficaram essas e escaparam por pouco. Não fosse as chuvas da semana passada, a coisa estava bem pior”, disse Pedro de Brito. Segundo a Emparn, em São José do Seridó, choveu 256 mm até a última segunda-feira.

O mato – conhecido como babuge – que nasceu recentemente é motivo de alegria, mas também de preocupação. Alguns animais passam mal depois de ingerir o alimento e é preciso cuidado para que eles não morram. “O gado, morto de fome, come muito a babuge. Às vezes tem lagarta no meio do mato e isso dá dor de barriga no gado”, explicou Pedro de Brito. Devido às dores, os animais deitam no chão. Alguns morrem.

domingo, 21 de abril de 2013

Seca no Nordeste ainda vai durar mais três meses

 

:
Boletim climático foi apresentado em reunião em Maceió (AL); especialistas afirmam que o Nordeste enfrenta a estiagem mais longa do século e, ainda que chova, será um fenômeno isolado; as chuvas vão ficar concentradas nos Litorais e Zona da Mata; o Sertão e o Agreste não devem acompanhar esse quadro

 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Governo estuda decretar calamidade

As consequências da mais devastadora das secas que atinge o Rio Grande do Norte nesta segunda década do século XXI, poderão levar o Executivo Estadual a decretar estado de calamidade pública no estado. Há mais de um ano sob decreto de emergência, a situação das 144 cidades afetadas pela estiagem prolongada pouco mudou e, conforme exposto por meteorologistas e servidores estaduais, a tendência é piorar, em decorrência da contínua falta de chuvas. A partir deste novo decreto, conforme argumentou o secretário, o Governo do Estado terá a “prerrogativa de driblar a burocracia” e desenvolver projetos e contratar empresas sem seguir o rito preconizado pela Lei de Licitações. “Temos uma notícia preocupante: a Barragem de Pau dos Ferros só tem 16% da capacidade”, enfatizou Leonardo Rêgo.

Como mais um equipamento a ser utilizado na tentativa de reduzir os danos causados ao rebanho, às plantações e, principalmente, à vida do povo potiguar, o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Leonardo Rêgo, anunciou que o Governo poderá construir mais uma adutora que levará água da Barragem de Santa Cruz, em Apodi, ao município de Pau dos Ferros, no Oeste potiguar.

Com 70 quilômetros de extensão e orçada em R$ 88 milhões, a ‘Adutora Expressa’ carreará água da Barragem de Santa Cruz e a conduzirá até a Barragem de Pau dos Ferros. Esta, por sua vez, distribuirá o líquido através dos dutos da Adutora do Alto Oeste, cuja primeira etapa da obra deverá ser inaugurada em breve, possivelmente pela presidenta Dilma Rousseff. A construção deste nova adutora, porém, ainda não está confirmada. Isto porque os pré-projetos, cuja confecção custou R$ 1,4 milhão, ainda não foram apresentados ao Ministério da Integração Nacional que, segundo o titular da Semarh, deverá financiar a construção.

O secretário Leonardo Rêgo destacou que a ‘Adutora Expressa’ terá um papel relevante no abastecimento da Região Oeste. Isso porque será através da Barragem de Santa Cruz, que o estado potiguar será abastecido com as águas da transposição do Rio São Francisco. Este, inclusive, será um dos temas de uma audiência que será conduzida pelo deputado federal Henrique Eduardo Alves na Câmara dos Deputados, em Brasília, no próximo 7 de maio.

No momento, o Governo Federal analisa uma mudança na modalidade de contratação de empreiteiras para trabalhar nas obras do rio. Muitas delas participam das licitações ofertando um preço muito abaixo do valor de mercado e, ao longo do serviço, aditam os contratos com novas planilhas de cálculo, onerando o valor final da obra.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Deputados federais e estaduais formarão comissão mista para acompanhar ações de combate aos efeitos da seca


Por iniciativa do presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Motta, o presidente da Câmara Federal, Henrique Açves, foi hoje à Assembleia para discutir sobre a questão da seca no Rio Grande do Norte.

Tema de palestra feita por Henrique no sábado em Mossoró.

Participaram 22 deputados estaduais e 5 federais.

E ficou definido que os deputados, federais e estaduais, vão formar uma comissão mista para acompanhar as decisões, tanto locais quanto federais, em relação às ações de combate aos efeitos da seca.

Amanhã o deputado Ricardo Motta vai reunir os líderes de partidos na Assembleia para definir quais deputados farão parte da comissão.

Ricardo Motta e Henrique Alves comandaram a reunião (Foto: Márlio Forte)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Deputado Gustavo Carvalho critica Governo por ausência no debate sobre a seca


Durante a participação em audiência pública sobre a problemática da seca na cidade de Patu, o deputado estadual Gustavo Carvalho criticou o Governo do Estado pela ausência na discussão. “Quero lamentar a ausência do Governo do Estado em um momento como esse, onde se discute um tema de tamanha gravidade. Esta não é a maior seca dos últimos 50 anos, mas a maior seca do século”, declarou o deputado.

Entre as medidas apresentadas por Gustavo Carvalho para um plano emergencial de enfrentamento da seca, estão: a formação de uma comissão dos diversos poderes na tentativa de desburocratizar os trâmites no Programa SOS Seca; um Programa de perfuração de poços tubulares; a instalação imediata de todos os poços já perfurados no RN; a interferência junto aos Bancos do Nordeste e do Brasil, tentando aumentar o prazo dos empréstimos rurais, evitando leilões; a garantia de um crédito rural ao médio agricultor; a ampliação do Seguro Safra; e ainda a abertura de frentes de trabalho com programa de abertura de barreiros e de desassoreamento.

Setor canavieiro pressiona por medidas de socorro

Andrielle Mendes - repórter

Tribuna do Norte

A Associação dos Plantadores de Cana do Rio Grande do Norte está articulando um protesto em Goianinha para pressionar os municípios canavieiros a decretarem estado de emergência. A medida, segundo a associação, poderia ajudar a salvar o setor sucroalcooleiro, ao permitir a renegociação de dívidas contraídas pelos produtores e facilitar o acesso ao crédito emergencial. Cento e quarenta e quatro dos 167 municípios potiguares já decretaram estado de emergência em decorrência da seca. Os onze municípios produtores de cana, entre eles, Goianinha, Baía Formosa e Ceará-Mirim, não estão na lista.
Magnus NascimentoEm meio à seca que atinge o Estado, o setor perdeu produção e vem reduzindo a mão de obraEm meio à seca que atinge o Estado, o setor perdeu produção e vem reduzindo a mão de obra

O pedido de inclusão foi apresentado oficialmente pela Asplan ao secretário estadual de Agricultura, Júnior Teixeira, na última segunda-feira, e recebeu a chancela do Comitê Estadual para Ações Emergenciais de Combate aos Efeitos da Seca, criado em maio do ano passado para coordenar as atividades de enfrentamento aos efeitos da seca no RN. Um documento incluindo esta e outras reivindicações foi enviado e protocolado junto ao governo do estado em maio de 2012.

O secretário de Agricultura reconhece que a medida pode ajudar o setor sucroalcooleiro a recuperar parte das perdas, mas esclarece que a decisão de decretar ou não estado de emergência é de cada município. O decreto, que é uma iniciativa de cada prefeito e está vinculado à criação da Defesa Civil da cidade, só passa a valer quando recebe sinal verde do Estado e do governo federal (Defesa Civil nacional e Ministério da Integração Nacional). O secretário não soube informar quanto tempo isso demora.

Além de apoiar a inclusão dos municípios canavieiros na lista de cidades em estado de emergência, o governo aceitou criar a Câmara Setorial da Cana de Açúcar e prometeu estudar outras reivindicações apresentadas pelos plantadores de cana do estado. Uma delas prevê que as usinas e destilarias repassem R$ 2,50 a mais por tonelada de cana vendida pelos produtores e, em troca disso, paguem menos ICMS ao governo do estado. O pedido, segundo Júnior Teixeira, será avaliado pela Secretaria Estadual de Tributação. “É preciso avaliar o impacto de uma medida como essa”, justificou.


Levantamento divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta o RN como o estado do país com o maior recuo de área plantada de cana de açúcar na safra 2012-2013 - já encerrada. O estado também ficou entre os três do país com maior queda da produção na safra 2012-2013, em relação à anterior. “Se os municípios produtores de cana tivessem decretado estado de emergência antes, a situação seria diferente”, afirma Renato Lima, presidente da Asplan.

Como mostrou reportagem da TRIBUNA DO NORTE no domingo (7), o setor sucroalcooleiro enfrenta a pior crise dos últimos 40 anos no estado. A produção teria caído em torno de 40%, provocando demissões em massa.

O protesto da Asplan é previsto para as 8h de amanhã, em Goianinha, em frente à Camara dos Vereadores. Os produtores independentes de cana planejam fechar a rua principal com tratores e pedir para discursar na Câmara.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Carcaça de animais mortos é retrato de desespero

 

Blog do Carlos Santos

Cena forte para começar o dia, em plena madrugada, mas que mostra o tamanho do desespero do homem do campo nordestino.
Criadores e agricultores paraibanos expõem carcaças de animais mortos em pleno centro de cidade, diante de um banco
 
Endividados e reclamando do tratamento recebido, agricultores e criadores paraibanos despejaram carcaça de gado morto devido a fome no campo, em frente à agência do BNB de Guarabira-PB.
 
A estiagem, velha conhecida do sertanejo, é tão comum quanto a incapacidade do setor público em minimizar tamanho sofrimento.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Banco do Nordeste destinará mais R$ 350 milhões a agricultores afetados pela seca

Anúncio foi feito pela presidente Dilma Rousseff, que confirmou também a prorrogação de dívidas rurais

O Banco do Nordeste disponibilizará mais R$ 350 milhões para produtores afetados pela seca em sua área de atuação – região Nordeste e norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Os créditos serão concedidos por meio do FNE – Estiagem, programa que tem como fonte de recursos o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

O anúncio foi feito pela presidente da República, Dilma Rousseff, em reunião do Conselho Deliberativo da Sudene (Condel), realizada ontem, 2, em Fortaleza. O evento contou com a participação do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, do superintendente da Sudene, Luiz Gonzaga Paes Landim, de governadores dos estados nordestinos, parlamentares, além do presidente do Banco do Nordeste, Ary Joel Lanzarin.

Dos recursos disponibilizados para financiamento, R$ 200 milhões destinam-se a agricultores enquadrados no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). Os R$ 150 milhões restantes serão empregados em operações com mini e pequenos produtores não classificados no programa.

Na opinião do presidente Ary Joel, a elevação do crédito é importante e veio a tempo para atenuar os efeitos da seca. “Temos que considerar que esses recursos somam-se aos R$ 2,4 bilhões já liberados, perfazendo um total de R$ 2,75 bilhões. Acreditamos que os recursos adicionais sejam suficientes para os próximos 90 ou 120 dias”, declarou.

Prorrogação de dívidas

Dilma Rousseff anunciou, ainda, a prorrogação das dívidas dos agricultores com situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal. A medida também contempla clientes do Banco do Nordeste e é válida para os produtores rurais que estavam adimplentes até 31 de dezembro de 2011, data anterior à seca.

De acordo com o normativo, agricultores familiares, atendidos pelo Pronaf, poderão prorrogar parcelas, com vencimento entre 2012 e 2014, por até 10 anos, sendo o primeiro pagamento em 2016. Eles terão rebate de 80% sobre a dívida.

Agricultores empresariais com parcelas vencidas ou a vencer no mesmo período também poderão prorrogar a dívida em dez anos. Nesse caso, o pagamento da primeira parcela será em 2015.

Ao todo, o plano emergencial anunciado pela presidenta da república alcança R$ 9 bilhões, abrangendo ações voltadas para construção de cisternas, perfuração e recuperação de poços, bem como prorrogação do Garantia Safra e do Bolsa Estiagem. O Governo Federal assegurará ainda a venda de 340 mil toneladas de milho a preço subsidiado. A distribuição ficará a cargo dos Governos Estaduais.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Prévia dos Governadores

 

Antes da reunião da Sudene com a Presidente Dilma Rousseff amanhã, os governadores do Nordeste se reúnem na noite desta segunda já em Fortaleza.

A Governadora Rosalba Ciarlini confirmou presença. Eles querem afinar pauta e pleitos sobre a seca. No topo, a urgência do milho e poços para os municípios mais atingidos com a falta d’água.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Prejuízos econômicos no RN não chegam a R$ 1 bilhão, diz IBGE

A conta feita pelo Governo do Estado acerca do prejuízo econômico no Rio Grande do Norte devido à seca, não bate com os cálculos feitos por especialistas e representantes do setor agropecuário. Eles afirmam que em um cenário muito pessimista o prejuízo não chega a R$ 1 bilhão. Já os números oficiais divulgados em reunião do Comitê Estadual de Combate aos Efeitos da Seca, na segunda-feira (04), dão conta de que esse valor ficaria na casa dos R$ 5 bilhões.

"Mesmo que o RN tivesse perdido todo a sua safra e todo o seu rebanho não daria esse valor de R$5 bilhões. Mas nem todas as culturas foram afetadas, uma série de indústrias também não", contestou o economista do IBGE, Aldemir Freire.

A pedido da TRIBUNA DO NORTE, o economista apresentou uma aproximação do tamanho da perda. Ele levou em consideração apenas a produção agrícola afetada pela seca (algodão, arroz, feijão, milho, mandioca e castanha de caju) e a produção de leite (Veja gráfico) e tomou por base o ano de 2009 (considerado normal no quesito chuva) e uma estimativa perda de 90% da safra. O valor encontrado foi inferior a R$250 mil em perdas diretas.

"Pois bem, o valor a que cheguei foi algo próximo da R$ 250 milhões de perdas diretas. Agora vamos pegar os efeitos indiretos e, exagerando muito, multiplicar o número que encontrei por 4. Teremos com isso, no máximo, uma perda de R$ 1 bilhão. Porém, nem mesmo esse número eu acho que esteja correto. Acho que não passará dos R$ 750 milhões. Algo como 2% do PIB estadual", disse Aldemir Freire.

Outra justificativa apresentada pelo economista é que o principal produto de exportação do RN vem da fruticultura irrigada, que não foi atingida pela seca. Segundo ele, a exportação de frutas é praticamente a mesmo de 2011. Algumas, como o caso do melão, tiveram aumento. Passou de US$50.557.900, em 2011, para US$54.056.370, em 2012. A exportação de melância também ficou em alta. Foram US$6.042.420, em 2011, contra US$7.779.416, em 2012. A maior queda ficou por conta da castanha de caju que registrou exportação de US$50.177.836, em 2011, contra US$36.660.025, em2012.

O presidente da Faern, José Vieira, concorda com os números do IBGE. "Acho que R$5 bilhões é um valor superestimado. Não sabemos os parâmetros utilizados pelo Governo, mas me assustei com o valor do prejuízo", disse ele.

O secretário de Recursos Hídricos, Gilberto Jales, foi procurado para explicar como se chegou ao valor de R$5 bilhões, mas indicou o interino da Secretaria Agricultura, Simplício Holanda. Este não pode falar com a equipe, pois tinha várias reuniões durante a tarde de ontem.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Seca reduz produção de queijos

Andrielle Mendes - Repórter

Tribuna do Norte

A queda na produção de leite está provocando um efeito cascata no Rio Grande do Norte. Várias queijarias já reduziram a produção por falta de matéria-prima. Em alguns casos, a queda chega a quase 80%, comprometendo o faturamento das empresas e ameaçando as finanças. Com a redução da oferta, o preço do leite in natura também subiu em torno de 40%, passando de R$ 0,85 para R$ 1,20. Em alguns casos, é preciso pagar R$ 1,40 por um litro de leite in natura na porteira. Em decorrência disso, os queijos já estão custando 30% a mais nas prateleiras.
Júnior SantosRegião Seridó concentra quase 90 por cento das queijarias que operam no RN e empregam 2.500 pessoasRegião Seridó concentra quase 90 por cento das queijarias que operam no RN e empregam 2.500 pessoas

Para evitar demissões de trabalhadores, algumas queijarias estão concedendo férias a parte dos funcionários ou reduzido o horário de expediente. Esta foi a alternativa encontrada por Alane Kaline Fernandes de Araújo, uma das diretoras da Queijaria Dona Gertrudes, há 30 anos no mercado, para não demitir os funcionários, em Caicó. Em poucos meses, ela viu a produção cair 56,6%, passando de 300 quilos para 130 quilos por dia.

A redução na queijaria de José Henrique Bezerra, mais conhecido como Zé do Queijo, no município de Bom Jesus, interior do estado, foi ainda maior. "Antes produzíamos cerca de 200 quilos de queijo por dia. Hoje produzimos 45 quilos. Deixamos até de revender", afirma. A redução no caso dele chega a 77,5%. "O volume de leite comprado está caindo. Antes comprávamos 2,5 mil litros de leite por dia. Hoje só conseguimos 500 litros", compara o produtor.

Por falta de fornecedor, Francyjose Bezerra Moura teve de fechar a 'Casa do Queijo', no centro de Parnamirim. Mesmo vendendo outros produtos como bolo, pão e bolachas, a empresária decidiu fechar as portas. Outras razões também pesaram na decisão, mas a falta de matéria-prima que dá nome ao negócio foi a principal delas. O negócio mal completou três meses. Francyjose justifica: "a fábrica deixou de revender para gente. Não recebemos queijo há quase 20 dias".

Segundo estimativa da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Seridó (Adese), o RN possui aproximadamente 400 queijarias, boa parte delas no Seridó. Juntas, elas geram em média 2,5 mil empregos diretos. Para Acácio Brito, gestor do projeto de Leite e Derivados do Sebrae no estado, o problema é generalizado.

A indústria de derivados de leite também sofre. Na falta de leite in natura, boa parte delas tem recorrido ao leite em pó para produzir desde iogurtes a coalhadas, onerando o produto final, afirma Francisco Belarmino, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do RN (SindiLeite). "Comprar leite em pó só compensa porque o preço do leite in natura subiu muito", afirma.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), o RN industrializou 15,2 milhões de litros de leite entre janeiro e setembro de 2012. O IBGE ainda não divulgou os dados referentes ao último trimestre de 2012. O volume industrializado foi o menor dos últimos cinco anos para o período. A queda no volume industrializado no estado com relação ao mesmo período do ano passado chega a 14,4%. O Brasil também sofre com a seca, mas conseguiu pelo menos manter a industrialização de leite estável no último ano.

A queda na produção também tem afetado o Programa do Leite, que deveria distribuir leite in natura para 115 mil famílias só no Rio Grande do Norte. Segundo cálculos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que cuida do pagamento dos produtores, o volume distribuído caiu 25,17%. A meta era entregar 155.646 litros por dia, mas o Estado só tem conseguido distribuir 115.977. Segundo alguns produtores, o volume distribuído seria ainda menor que o oficial.

"Algumas indústrias de laticínios interromperam, parcialmente, a entrega do produto em alguns municípios, mesmo após o preço do litro do leite pago ter passado de R$ 1,32 para 1,53 para o bovino, e de R$ 1,82 para R$ 2,10, para o produto caprino, aumento concedido pelo governo do estado no mês de agosto, retroativo a maio de 2012", justificou um técnico da Emater no RN.

Produção vem recuando no RN, independente de seca

Estudo divulgado pelo Sebrae/RN ainda em 2012 já apontava alguns dos problemas enfrentados pelos produtores de leite e agravados pela seca. Segundo o levantamento, a produção de leite havia recuado 36% no Rio Grande do Norte entre 2002 e 2010, passando de 628.645 litros diários para menos de 400 mil litros diários. Entre as causas para a queda, entidades como a Federação da Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Norte (Faern) e a Associação Norte-Riograndense de criadores (Anorc) apontavam a estiagem, a alta dos insumos, a defasagem dos preços, e os atrasos no pagamento do Programa do Leite.

Para avaliar o real impacto do Programa do Leite na estrutura produtiva das usinas de beneficiamento e na renda dos produtores rurais, o Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome (MDS) percorreu dez estados em 2009 e constatou que a renda do pequeno produtor, no Rio Grande do Norte, cairia pela metade, se o programa fosse suspenso. Se realizada em 2012, a pesquisa, que ainda não foi atualizada, chegaria a um percentual ainda maior, assegurou o diretor financeiro do Sindicato dos Produtores de Leite do RN (Sinproleite), Lirani Dantas, em entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE em 1º de julho de 2012.

A combinação entre estiagem, alta dos insumos e atrasos no pagamento do programa havia reduzido a distribuição de leite dentro do programa em quase 60% no Estado, ainda no ano passado. Falhas no programa - implantado na década de 1990 e levado para outros nove estados em 2003 - também reduziram a renda dos pequenos produtores até 80% no RN, como no caso de João Francisco Nascimento, 42, agricultor familiar, cuja renda mensal caiu de R$ 950 para R$ 200 nos últimos oito anos, também entrevistado em julho do ano passado pela TN.

O nível de dependência dos produtores e das usinas em relação ao programa já era alto no RN em 2012. Cerca de 77% do leite beneficiado diariamente pelas usinas era destinado ao programa, que também absorvia 25% de todo o leite produzido, segundo dados do IBGE. Em Pernambuco, onde o mesmo programa é desenvolvido, o percentual de leite adquirido pelo governo não ultrapassava 5%, de acordo com o Sinproleite.

"O produtor de leite que depende do programa se encontra hoje numa situação de muita vulnerabilidade. Se esse programa for extinto, a crise se estabelece tanto entre os produtores rurais quanto entre as usinas", alertou Francisco Fransualdo Azevedo, professor adjunto do curso de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que pesquisa a pecuária leiteira no Seridó, em entrevista à TN no ano passado.

No último ano, segundo o Sindicato dos Produtores de Leite (Sinproleite), quatro usinas de processamento e beneficiamento de leite e derivados fecharam as portas em decorrência da crise envolvendo a cadeia do leite. "Toda a cadeia está sendo afetada com a seca. É um processo inter-relacionado. Se a produção cai, todos sofrem", afirma Acácio Brito, gestor do projeto de Leite e Derivados do Sebrae no estado. A única esperança é a chuva, que faz crescer o volumoso para alimentar o gado. "Enquanto não começa a chover, o produtor se agarra a última gota de oxigênio".

Governo do Estado admite autorizar importação

O governo do estado não descarta a possibilidade de importar leite em pó para compensar a queda na produção no interior do Estado e industrialização e garantir a continuidade do Programa do Leite. A ideia foi apresentada em junho do ano passado e causou polêmica sobretudo entre os produtores potiguares. O governo decidiu reajustar o preço do leite pago ao produtor e engavetar o projeto, temporariamente.

"Mas fica evidenciado que, mesmo com o ajuste concedido pelo governo do estado e os esforços dispensados pelos laticínios para a captação do leite, a necessidade de aquisição do leite em pó de forma emergencial e transitória", informou a Emater. Até o ano passado, 2.064 produtores forneciam leite para o governo no RN. Segundo a Emater, parte deles teria interrompido o fornecimento com o agravamento da seca.

O leite em pó, segundo informou o governo na época, viria de países como a Austrália e a Nova Zelândia, com excedente na produção, e iria para mesa de cerca de 115 mil famílias potiguares, inscritas no programa. "Primeiro reajustamos os preços para verificar se a produção subiria. Reajustamos os preços, mas a produção não subiu. Fica patente que vai ser necessário importar leite em pó", afirmou Ronaldo Cruz, diretor geral da Emater no RN, sem dar mais detalhes.

A produção foi reduzida em consequência da seca, que dizimou a pastagem e elevou os custos de alimentação dos animais. A falta de água também foi um dos fatores para o criador se desfazer do rebanho.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Escassez de água afeta 12 cidades potiguares

 
Do DN Online

A escassez de água provocada pela estiagem tem afetado diretamente 122 zonas rurais de municípios potiguares. São 12 cidades, a maioria no Alto Oeste. A solução para o problema continua emergencial e por meio dos mesmos carros-pipa. Tem sido assim há mais de meio século. Fontes alternativas de abastecimento estão entre as medidas tomadas pelo conjunto de órgãos do Governo do Estado para o enfrentamento da estiagem.

O Secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Gilberto Jales, explica que medidas foram tomadas antes mesmo da confirmação da estiagem. E neste momento, afirma o secretário, a situação está sendo acompanhada de perto. “As soluções serão dadas de forma particular em cada caso. É preciso agir caso a caso”, lembra o secretário afirmando que as peculiaridades das áreas devem ser respeitadas nestas avaliações.

Uma destas soluções é o monitoramento dos mananciais de abastecimento para tomada de decisões. Além do planejamento dos órgãos responsáveis, Jales lembrou a necessidade da população estar engajada em poupar água. “É um momento sério de seca em que a sociedade também deve estar mobilizada. Não adianta juntarmos esforços neste momento e as pessoas usarem água tratada para outros usos que não o de abastecimento”, ressalta o secretário.

A Semarh e o Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn) são responsáveis pela gestão que disciplina os usos da água dos mananciais do Estado. Em períodos de estiagem, como o que o Rio Grande do Norte atravessa, a prioridade é o abastecimento. Por este motivo, quem retira água para irrigação, por exemplo, deve estar outorgado, ou seja, autorizado para este fim. No momento em que os mananciais atingem níveis de alerta, as atividades com o uso da água devem ser suspensas, para garantir o abastecimento humano e animal.

O secretário Gilberto Jales lembra que na próxima semana a Semarh e o Igarn estarão em São Miguel, onde o manancial está em nível de alerta, para averiguar os usos do manancial da cidade. Na barragem Passagem das Traíras, na Região do Seridó, já houve fechamento para o melhor planejamento do uso da água. O primeiro trecho da Adutora do Alto Oeste, com 70 quilômetros de extensão, que atende as cidades de Luís Gomes, Major Sales, Água Nova e Rafael Fernandes, está em teste. Com a conclusão dos serviços observados durante os testes, a adutora passa a funcionar normalmente neste trecho.

A Semarh perfurou 12 poços na cidade de Luís Gomes, que juntamente com os carros-pipa estão fazendo o abastecimento naquela cidade. Serão perfurados mais 52 poços, até fevereiro, principalmente na Região do Alto Oeste que apresenta a situação mais crítica no Estado em relação a abastecimento. A Região do Seridó começa a apresentar cidades com colapso de abastecimento.

Estão sendo feitas 700 barragens subterrâneas sob a responsabilidade do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Outras duas mil barragens estão previstas. A Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e da Pecuária é a responsável pelas ações de convivência com a seca junto aos agricultores.

A Caern é responsável pelo abastecimento das cidades do Rio Grande do Norte. Das 152 cidades atendidas pela Companhia, 12 estão com suas fontes de abastecimento, que são açudes e poços, sem condições de captação de água. São elas: Luís Gomes, Riacho de Santana, Água Nova, Pilões, João Dias, Antônio Martins, Olho Dágua dos Borges, Serrinha dos Pintos, Doutor Severiano, Equador, Carnaúba dos Dantas e São José do Seridó.

A Caern, juntamente com o Semarh e o Igarn, trabalham em conjunto para a busca de novas fontes de abastecimento e o planejamento para eventuais necessidades de racionamento. Para as cidades de Olho D’água dos Borges, Francisco Dantas e Doutor Severiano, estas duas últimas em situação de alerta, os técnicos da Caern estudam novas fontes alternativas de abastecimento. Nas cidades em que as possibilidades foram esgotadas, a Caern informa aos municípios para que os mesmos se habilitem junto à Defesa Civil Estadual para o recebimento de carros-pipa.

Defesa Civil Estadual

O Governo do Estado por meio do Decreto nº 22.637, de 11 de abril de 2012, declarou situação de emergência em 139 municípios do Rio Grande do Norte, afetados por desastres naturais relacionados com a intensa redução das precipitações hídricas em decorrência da estiagem. O documento também destaca outras considerações como, a falta de água para a produção agrícola e pecuária, bem como para o consumo humano e animal na zona rural. Atualmente são 142 municípios em situação de emergência.

O processo de situação de emergência e/ou estado de calamidade pública tem como objetivo principal identificar o número de afetados, prejuízos e danos inerentes aos desastres ocorridos no município, através dos preenchimentos de formulários, declarações e outros documentos correlatos. Este processo é instruído pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil e deve ser encaminhado à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do RN.

A Defesa Civil Estadual (Cedec), órgão da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), tem como missão promover, coordenar e supervisionar as ações de prevenção e preparação para as emergências e desastres capacitando os agentes de proteção civil para as ações de resultados desastrosos ou prejudiciais, ao Estado ou à sua população, e de resposta e atendimento às necessidades da população, decorrentes de situações de emergência ou estado de calamidade pública.

Segundo o coordenador Estadual da Defesa Civil, Ten. Cel. BM Acioli, para receber recursos federais o município precisa criar por Lei a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compedec). “A Cedec em parceria com a Defesa Civil Nacional visitou os 139 municípios em Situação de Emergência. Nosso objetivo é avaliar os danos causados pela estiagem, o abastecimento pelos carros pipas, sistema de cisterna e a estrutura montada pela prefeitura para auxiliar a população”, informou o coordenador.

De acordo com a Cedec, 123 municípios criaram por Lei Municipal a Compedc. O Coordenador da Cedec, Ten. Cel. BM Acioli, enfatiza a importância da criação da Compedc. “É preciso que as prefeituras se conscientizem que o trabalho da Defesa Civil também é de prevenção e que as coordenadorias municipais precisam ser criadas para auxiliar o município em períodos como este. Também é necessário a criação do Comitê de Fiscalização Municipal que irá cooperar de forma integrada com as ações do carro pipa do Governo do Estado”, informou o Coronel.

A Operação Carro Pipa do Governo do Estado contempla 28 municípios que não estão sendo beneficiados pela Operação Pipa do Exército. Os recursos são provenientes do Governo Federal, por meio do Ministério da Integração, e foram disponibilizados para atender os municípios afetados pelo longo período de estiagem.

O município que necessitar de apoio e orientação pode entrar em contato com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, por meio do telefone 3232 -1769 ou 3232-1762, como também por e-mails: defesacivil@rn.gov.br e cedec.rn@gmail.com.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Governo tenta evitar colapso

Tribuna do Norte

Representantes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) e do Instituto de Gestão das Águas (Igarn) anunciaram nove medidas para evitar o colapso no fornecimento de água nos 142 municípios em estado de calamidade, por efeitos da seca no RN. Entre as medidas estão um plano de controle de consumo excessivo - em cidades onde a utilização da água extrapola o recomendado pela Organização Mundial de Saúde -, o fechamento de comportas de reservatórios que façam outros usos da água (que não seja abastecimento humano) e a otimização das obras em execução (adutoras, poços e chafarizes).
Júnior SantosNa zona rural de Currais Novos, a população já depende, há meses, da Operação Pipa para receber água em suas cisternasNa zona rural de Currais Novos, a população já depende, há meses, da Operação Pipa para receber água em suas cisternas

Entre as cidades em estado de calamidade, quatro já estão com abastecimento de água sendo feito exclusivamente por meio de carro-pipa. São elas: Antônio Martins, Luís Gomes, Lagoa Nova e João Dias. Outras nove cidades preocupam, porque o nível de água dos reservatórios está abaixo de 23%. São Miguel, José da Penha, Pau dos Ferros, Pilões, São João do Sabugi, Currais Novos, Lucrécia, Olho D'água dos Borges e Tenente Ananias são as que estão em situação mais crítica, segundo informações do secretário estadual de Recursos Hídricos, Gilberto Jales.

Para conter as consequências trazidas pela estiagem, o Governo estadual também pretende fechar a comporta de mananciais que usam a água para outras usos que não o abastecimento da comunidade, a perfuração de poços em locais geologicamente viáveis e convocação de outras instituições, como Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) para tomar decisões sobre o estado de bacias e reservatórios federais.

As medidas para contenção no uso da água foram discutidas à portas fechadas na manhã de ontem, 9. As autoridades evitaram classificá-las como uma estratégia de racionamento, mas as intervenções resultarão em economia de água, tanto por parte da população, como por parte das autoridades. "Precisamos pensar à frente. Esperamos que as chuvas voltem a ocorrer no nosso Estado, mas se isso não acontecer, temos que estar preparados", afirmou Gilberto Jales.

A região do Alto Oeste é a que se encontra em situação mais crítica. Em alguns reservatórios, o nível está abaixo dos 20%, como é o caso do açude no município de Olho D'água dos Borges, que entrou em colapso, e o de São Miguel, funcionando com apenas 12% de sua capacidade. Situação é mais complicada no Alto Oeste, onde os reservatórios possuem hoje menos de 25% de sua capacidade de armazenamento.

Gilberto Jales explicou que, a partir de agora, semanalmente o grupo de trabalho constituído ontem vai monitorar e avaliar as ações, bem como a eficácia de cada uma. "As medidas serão monitoradas semanalmente e o grupo de trabalho irá vistoriar os municípios mais atingidos. As medidas podem ser reformuladas, dependendo das avaliações que forem feitas", afirmou Jales.

De acordo com as estratégias elaboradas na reunião, o grupo de acompanhamento, formado por representantes da Caern, Semarh e Igarn começarão, na próxima quinzena, um acompanhamento mais criterioso dos reservatórios, levando em conta, em cada cidade, as opções de abastecimento a que a população pode ter acesso. Carros-pipa e poços artesianos são as soluções mais utilizadas. Em 20 dias, 54 novos poços entrarão em funcionamento em nove cidades. Se esses poços produzirem como o esperado, a cada 6 mil litros de água prospectados, menos um carro-pipa será necessário.

Previsão é de chuvas abaixo do normal

Na semana passada, o setor de meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn) divulgou que para os meses de janeiro a março as chuvas no semiárido da região Nordeste do Brasil ficariam entre normais e abaixo do normal. De acordo com o meteorologista Gilmar Bistrot, a previsão não era conclusiva e o quadro vem se revelando mais favorável. A previsão para o inverno de 2013 será concluída em um workshop que será realizado no fim deste mês.

A coordenadora de gestão de recursos hídricos da Semarh afirmou que ainda não é possível afirmar se será possível recuperar o volume dos reservatórios do estado no inverno. "Nós podemos ter um inverno com muita chuva, mas ruim para o acúmulo de água nos reservatórios, que é aquela chuvinha fina todos os dias. E pode ser que venham fortes chuvas, enxurradas, e aí sim encha os reservatórios. Não temos como saber que tipo de inverno teremos", disse Joana Darc.

Desde abril de 2012, 142 municípios do RN estão em estado de calamidade. Desde novembro do ano passado, o Exército, que coordena a Operação-Pipa, tem dificuldades para contratar pipeiros, na maioria dos municípios do Rio Grande do Norte. Segundo Gilberto Jales a situação, hoje, é de alerta. Ele pediu a colaboração da população no uso da água. Entre as medidas anunciadas ontem está uma campanha para conscientizar toda a população potiguar. O foco: o desperdício de água.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Alto Oeste terá racionamento de água

Carlos CostaAlexandria terá racionamento no fornecimento de águaAlexandria terá racionamento no fornecimento de água
























Fernanda Zauli - Repórter Tribuna do Norte


O baixo volume de águas nos reservatórios do estado fez com que a Secretaria Estadual de Meio Ambiente Recursos Hídricos (Semarh) convocasse uma reunião com a Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN) e o Instituto de Gestão das Águas (Igarn) para discutir medidas de impacto que deverão ser adotadas nos próximos meses com o objetivo de minimizar os problemas causados pela falta d'água. Dentre as medidas está o racionamento do abastecimento de água em municípios do Alto Oeste e a instalação de poços que já estavam perfurados, mas ainda não estavam em funcionamento.

O secretário estadual de Recursos Hídricos, Gilberto Jales, alertou para a importância do uso consciente da água por parte do consumidor para que o racionamento do fornecimento não tenha que ser estendido a outras regiões do RN. "Essa é a principal medida: o uso consciente, o combate ao desperdício", disse.

A região do Alto Oeste, de acordo com o secretário, é a que se encontra em situação mais crítica em relação ao volume dos reservatórios. Alguns deles estão com menos de 20% da capacidade. É o caso do reservatório Bonito II, no município de São Miguel, que em dezembro estava com apenas 14,82% da sua capacidade. Outros reservatórios estão em situação ainda pior, como o de Olho D'água dos Borges com 8,86% da capacidade, e Lucrécia com 11,29%. No Alto Oeste, o reservatório que está em melhor situação é o de Santa Cruz do Apodi, com 59,37% da capacidade.

De acordo com Gilberto Jales, o racionamento do fornecimento de água deve começar pelos municípios de Alexandria e São Miguel. Os detalhes do racionamento serão discutidos na reunião da próxima quarta-feira, mas o secretário informou que, na maioria das vezes, o que ocorre é a suspensão do fornecimento de água em determinados dias da semana. "Não é a situação ideal, mas é necessária. Se não houver recuperação do volume dos reservatórios nós teremos racionamento em muitos municípios", disse.

A coordenadora de gestão de recursos hídricos da Semarh, Joana Darc Freire de Medeiros, explicou que os reservatórios de médio e pequeno porte, com capacidade de armazenamento menor, são os mais comprometidos com a escassez de chuvas, mas os reservatórios de grande porte também já estão em situação crítica. "O reservatório Passagem das Traíras, em São José do Seridó, importantíssimo para o estado, teve a comporta fechada porque estava com apenas 19,7% da sua capacidade máxima. Agora aquela água é só para o abastecimento, não sai mais água para irrigação. Nós vamos conversar com o Dnocs para suspender a irrigação em cruzeta também, que já está com 20,64% da capacidade", disse.

PREVISÃO

O setor de meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn) divulgou que para os meses de janeiro a março as chuvas no semiárido da Região Nordeste do Brasil ficariam entre normais e abaixo do normal. De acordo com o meteorologista Gilmar Bistrot, a previsão não era conclusiva e o quadro vem se revelando mais favorável. A previsão para o inverno de 2013 será concluída em um workshop que será realizado no fim deste mês.

A coordenadora de gestão de recursos hídricos da Semarh afirmou que ainda não é possível afirmar se será possível recuperar o volume dos reservatórios do estado no inverno. "Nós podemos ter um inverno com muita chuva, mas ruim para o acúmulo de água nos reservatórios, que é aquela chuvinha fina todos os dias. E pode ser que venham fortes chuvas, enxurradas, e aí sim encha os reservatórios. Não temos como saber que tipo de inverno teremos", disse Joana Darc.

Obras para minimizar os efeitos da seca pouco avançam

Das obras de grande e médio porte prometidas para amenizar os efeitos da seca poucas tiveram andamento. O município de Luiz Gomes está a mais de um ano sem água e aguarda a conclusão do trecho da adutora que irá abastecer a cidade. A obra seria concluída em dezembro. Não foi. A nova previsão é o fim de janeiro.

"Estamos concluindo o trecho da adutora que vai até Luiz Gomes, está praticamente pronto, em fase de testes. Essa obra foi priorizada e nós estimamos que seja entregue no fim deste mês se não houver nenhum problema nos testes", disse o secretário.

Outras obras como a ampliação do sistema de abastecimento de água de municípios como Governador Dix-sept Rosado, Carnaúba dos Dantas, São Miguel, e Pendências, continuam no papel, sem qualquer avanço.

Poços

Algumas medidas pontuais vem sendo tomadas pela Semarh para amenizar os efeitos da falta d'água. No município de Pilões, por exemplo, o sistema de água entrou em colapso e a Semarh perfurou e instalou poços para garantir o abastecimento da população. De acordo com Gilberto Jales, o Rio Grande do Norte possui 884 poços perfurados e não instalados. "O governo do estado tinha recursos para perfurar e instalar 400 poços, mas, eu acredito que em virtude da demanda, o estado utilizou recursos para perfurar mais e não teve como instalar", explicou.

Segundo ele, esses poços estão distribuídos em cerca de 130 municípios. "A atual gestão já instalou 30 e estamos instalando outros 120, principalmente na região do Alto Oeste, até o fim do ano. Os outros devem ser instalados com recursos do Pac Seca", disse o secretário.

Carro Pipa

Alguns municípios do Rio Grande do Norte ainda dependem dos carros pipas para o fornecimento de água. Em Luiz Gomes, Antonio Martins, João Dias e Serra Negra do Norte o abastecimento com carro pipa é feito nas zonas rual e urbana; em outros 120 municípios comunidades da zona rural dependem da água do carro pipa.

"Evidente que dentro de um município como Currais Novos, por exemplo, existem comunidades que têm o abastecimento normal, mas se houver uma comunidade rural que utilize o carro pipa entra nessa contagem", disse o secretário Gilberto Jales.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Reservatórios do Nordeste caem abaixo do nível crítico

 

Renée Pereira, Estadão

Os reservatórios do Nordeste terminaram o ano de 2012 abaixo do limite de segurança para o abastecimento do mercado - um mecanismo criado pelo governo federal após o racionamento de 2001 para alertar sobre o nível das represas.

De acordo com relatórios do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a capacidade de armazenamento das usinas da região fechou o mês de dezembro em 32,2%. O limite mínimo estabelecido era de 34%.

No sistema Sudeste/Centro-Oeste, a situação não é muito diferente. As hidrelétricas encerraram o ano com uma reserva média de água de 28,8% - apenas 0,8 ponto porcentual acima da curva de aversão ao risco. O nível de armazenamento é semelhante ao de 2000 (28,52%), antes de o governo federal ser obrigado a decretar o racionamento de 2001.






Leia mais em Reservatórios do Nordeste caem abaixo do nível crítico e acendem sinal de alerta

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Seca se alastra pelo Estado

Tribuna do Norte

Isaac Lira - Repórter

O ano de 2012 não foi bom para os agricultores e criadores de gado do Rio Grande do Norte. Após uma das mais severas secas dos últimos anos, o Estado viu a produção de grãos cair, o rebanho bovino ser dizimado em algumas localidades e a oferta de água nas comunidades rurais passar a ser racionada. Um dos dados disponíveis demonstra o impacto que a estiagem trouxe para o RN: o número de cadastrados para obter o milho subsidiado pelo Governo Federal cresceu mais de quatro vezes do ano passado para 2012, segundo dados da Conab/RN.

Eram 3,5 mil em dezembro de 2011. Hoje são 14,3 mil cadastrados.


Após o agravamento do problema, o poder público, incluindo o Governo Federal, estados e municípios, anunciaram uma série de medidas para ajudar a população a conviver com a estiagem. Distribuição de alimento para o rebanho, oferta de água para as comunidades rurais, construção de barragens subterrâneas e poços tubulares, entre outras iniciativas. Esses foram os principais projetos anunciados. Contudo, de acordo com o que relatam produtores do interior do Estado, a ajuda ainda não foi efetiva.

A TRIBUNA DO NORTE visitou vários municípios do RN em maio deste ano, quando os efeitos da seca começavam a se agravar. A série de matérias "Pelos caminhos da seca" mostrou o sofrimento do interior do Estado quando contava-se dois meses de estiagem. Sete meses depois, a reportagem voltou a visitar os mesmos personagens. Em todos os casos, não houve avanços significativos.

No interior do RN, rebanho não resiste e morre de sede e fome

O cotidiano de Francisco das Chagas dos Santos mudou nos últimos meses. O seu trabalho, como criador de gado e um dos líderes do Assentamento Seridó, localizado em São José do Seridó, tem uma rotina: preparar o alimento do gado, tirar o leite dos animais e se inteirar acerca da produção de seus colegas, os 63 assentados da comunidade. Não fosse a seca, os dias do Assentamento Seridó passariam sem "novidades". No entanto, a pior estiagem dos últimos anos vivenciada no Estado trouxe uma série de modificações na vida dos criadores de gado da região.
Magnus NascimentoA TRIBUNA DO NORTE voltou esta semana às cidades visitadas em maio passado. o cenário é praticamente o mesmo. Intacta, mesmo, a esperança do sertanejo.A TRIBUNA DO NORTE voltou esta semana às cidades visitadas em maio passado. o cenário é praticamente o mesmo. Intacta, mesmo, a esperança do sertanejo.

Preparar a forragem do gado foi substituído pela espera da ração distribuída pelo Governo do Estado. A coleta do leite se manteve, mas em menor escala, tendo em vista que o número de animais diminuiu drasticamente e os que ficaram pouco dão leite. Por último, organizar a produção do assentamento passou a ter novas obrigações. Transportar cadáveres de bois e vacas até o cemitério improvisado pelos colonos, viagens ao escritório do Banco do Nordeste de Caicó para tentar financiamentos, entre outros afazeres. Francisco das Chagas e seus 62 vizinhos fazem parte de um grupo crescente no interior do Rio Grande, o grupo daqueles que dependem quase que exclusivamente da política assistencial do poder público para persistir em seu trabalho.

Hoje pelos menos 17 mil agropecuaristas do Rio Grande do Norte contam com a ajuda de instituições públicas para manter o rebanho e a produção. O número à primeira vista impõe respeito, mas se intimida diante do universo geral de produtores do Estado. Segundo dados do Idiarn, existem hoje mais de 48 mil criadores de gado registrados no Estado. Pouco mais de três mil são atendidos pela distribuição de sorgo e milho do Governo do Estado, segundo dados da Emater. Além disso, cerca de 14 mil produtores compram milho a um preço abaixo do mercado através da Conab.

Segundo os próprios atingidos, é por conta de números como esses que a situação das comunidades rurais no interior do Estado pouco mudou desde o início da estiagem. A TRIBUNA DO NORTE visitou várias cidades em maio e registrou as dificuldades encontradas por conta da seca. Francisco das Chagas foi um dos entrevistados. Sete meses depois a situação pouco mudou. "Temos menos bichos morrendo, mas isso é porque boa parte do rebanho morreu naquela época", lamenta o criador. Até dezembro cerca de 50 animais morreram no assentamento Seridó.

A principal dificuldade a persistir na vida das comunidades rurais do interior do Estado é a falta de pasto e água para o gado. "Existe a ração do Governo do Estado e o milho da Conab, mas nem todos os colonos conseguem ter acesso. O cadastro não contempla todos", diz Francisco das Chagas. Com os reservatórios esvaziados e o chão tão seco que até a palma e o xique-xique começa a murchar, os produtores têm duas possibilidades: ou compram a ração ou esperam pelo Governo. Os "menores" não tem como desembolsar o necessário para comprar ração. Dependem dos governos.

Aqueles com um rebanho maior - e mais condição financeira - passaram a bancar do próprio bolso a sobrevivência do rebanho. Isso inclui contrair empréstimos, principalmente na linha de financiamento emergencial para seca, disponibilizada pelo Banco do Nordeste. Ubirajara Lopes de Araújo é um dos que conseguiu acesso ao recurso. O agricultor gastou cerca de R$ 20 mil desde maio apenas para conseguir manter em pé as 160 cabeças de gado que possui na fazenda Estreito. "A única ajuda que eu tenho é o milho comprado na Conab. O açude secou e dependemos da Operação Pipa para abastecer a casa", aponta Ubirajara.
Com as dificuldades advindas com a seca, e que persistem desde a primeira metade de 2012, a produção de leite tem sido fortemente influenciada no Seridó. Em alguns locais, a diminuição chega a 40%.

Produção de queijo caiu 40%

Após um ano inteiro de escassas e fracas chuvas, a cadeia produtiva do leite, que é uma das principais fontes de riqueza de regiões como o Seridó, passa por dificuldades. Seja pela falta da matéria-prima ou pelo aumento do preço, vender queijo, leite e iogurte tem sido menos lucrativo. E até o início do próximo período chuvoso não há perspectivas de melhora. Em Currais Novos, a produção já sofre uma baixa de 40%. Já em Caicó a produção foi retomada, mas com uma diminuição nas vendas, por conta do preço.
Magnus NascimentoJucurutú em maio - Na Fazenda Estreito, Ubirajara Lopes de Araújo, 66 anos, passou a comprar bagaço de cana-de-açúcar de usinas localizadas nos Estados da Paraíba, onde o produto é mais barato. O açude da propriedade fornecia água para o gado.Jucurutú em maio - Na Fazenda Estreito, Ubirajara Lopes de Araújo, 66 anos, passou a comprar bagaço de cana-de-açúcar de usinas localizadas nos Estados da Paraíba, onde o produto é mais barato. O açude da propriedade fornecia água para o gado.

De acordo com Mariano Coelho, gerente da Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Seridó (Cersel), a produção de queijo e iogurte caiu 40% em relação ao ano passado. Coelho também foi um dos entrevistados no projeto "Pelos caminhos da seca", da TRIBUNA DO NORTE, em maio deste ano. Novamente perguntado acerca dos efeitos da estiagem, o gerente diz que a situação não piorou. Todavia também não melhorou. "Esperávamos uma diminuição de 60% até dezembro, mas conseguimos manter as perdas em 40%, o que ainda é muito ruim", aponta.
Magnus NascimentoCaicó em dezembro - De acordo com Alana Kaline, uma das administradoras da Queijeira, a oferta de leite teve uma recuperação. Distribui-se hoje cerca de 10% a menos que num período normal. Contudo, o inevitável encarecimento do produto diminuiu a venda em pelo menos 30%. Os produtos estão encalhando, lamenta.Caicó em dezembro - De acordo com Alana Kaline, uma das administradoras da Queijeira, a oferta de leite teve uma recuperação. Distribui-se hoje cerca de 10% a menos que num período normal. Contudo, o inevitável encarecimento do produto diminuiu a venda em pelo menos 30%. Os produtos estão encalhando, lamenta.

A diferença de situação vivenciada entre a queijeira e a cooperativa tem explicação. As duas atividades sempre disputam a aquisição do leite produzido no Seridó. Quando o produto está disponível em abundância, o preço pago pelas queijeiras cai e o valor pago por quem beneficia o leite fica mais vantajoso. Quando há seca e o valor pago pelas queijeiras sobe, passa a ser desvantajoso vender o produto para o setor de laticínios.

Poder público tenta amenizar efeitos

Além das ações de convivência imediata com a seca, o poder público deu início esse ano a uma série de ações de longo prazo, principalmente a partir do Governo Federal. As ações são executadas pelo Governo do Estado.

A primeira delas é a construção de barragens subterrâneas. Como se sabe, essas barragens conseguem armazenar água no subsolo. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos aponta a construção de 620 até este momento, sem contar em mais 800 que podem ser construídas no próximo ano.

Outra tentativa de diminuir os problemas a longo prazo é a perfuração de poços tubulares, com 120 planejados nos próximos meses.

Todas essas ações não têm repercussão imediata no cotidiano dos produtores. Será preciso chegar o próximo período chuvoso para que as barragens, por exemplo, consigam armazenar a água necessária.

Idiarn calcula perda do rebanho no Estado

O Governo do Estado ainda não tem dados concretos acerca da influência da seca no rebanho potiguar. O Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do RN (Idiarn) realiza atualmente um levantamento que só deve ser finalizado em janeiro de 2013. No entanto, os dados disponibilizados pelas prefeituras no interior apontam para uma diminuição significativa. Somente em três municípios (Lajes, São Tomé e São José do Seridó) quase 600 animais foram dizimados por conta da estiagem.
Magnus NascimentoSão Tomé no mês de maio - A Fazenda Pedra do Navio contava com quase 40 animais mortos, cujas carcaças ficavam amontoadas em um cemitério na propriedade. O único reservatório de água da fazenda, um pequeno açude, estava quase sem água.São Tomé no mês de maio - A Fazenda Pedra do Navio contava com quase 40 animais mortos, cujas carcaças ficavam amontoadas em um cemitério na propriedade. O único reservatório de água da fazenda, um pequeno açude, estava quase sem água.

Os produtores afirmam que a quantidade de mortes de gado na zona rural tem diminuído nos últimos dois meses. O aumento do acesso à ração subsidiada e fornecida pelo poder público é um dos motivos. Outro ponto reiterado por quem entende do assunto é a prevalência de animais mais "resistentes" nas comunidades rurais atualmente. "As mortes são menos numerosas hoje porque sobraram apenas os animais mais resistentes", aponta Miguel Salustiano, vice-prefeito de São Tomé.
Magnus NascimentoSão Tomé em dezembro - Todos os animais da propriedade foram transportados para outra fazenda. Foi a única opção encontrada para evitar o fim do rebanho. O açude do local já está completamente seco, sobrando apenas uma poça de lama.São Tomé em dezembro - Todos os animais da propriedade foram transportados para outra fazenda. Foi a única opção encontrada para evitar o fim do rebanho. O açude do local já está completamente seco, sobrando apenas uma poça de lama.

Em outros casos, os próprios produtores tomaram decisões, por vezes duras, para impedir a continuidade das perdas. É o caso da fazenda Pedra do Navio, onde todo o rebanho foi transferido para uma outra propriedade, onde ainda resta um açude para abastecer. Por lá, mais 40 reses morreram, principalmente após o pequeno reservatório de água da propriedade secar. Resta hoje apenas uma "lagoa de lama", como os próprios funcionários da fazenda definem.

Medidas mais sérias foram tomadas pelos produtores. Ednaldo Pereira se desfez de mais de 10 reses de corte para manter a produção leiteira. Na propriedade de Ednaldo, há 13 anos o carro-chefe é a queijeira. Com isso, ele precisou se desfazer de parte do seu rebanho para custear a continuidade do negócio. "Era isso ou ver os meus animais morrendo", garante. O gasto mensal de Ednaldo com a ração para manter o gado produzindo leite é de R$ 6 mil. Isso sem financiamento do Banco do Nordeste. "Tentei, mas não consegui. É muita burocracia e eu não tenho como dar cinco, seis viagens no banco", reclama.

sábado, 17 de novembro de 2012

Seca já afeta dez milhões de pessoas nos estados do Nordeste

 

Carol Aquino, O Globo

A pior seca dos últimos 30 anos já atinge dez milhões de pessoas em 1.317 municípios brasileiros. Os estados mais atingidos pela estiagem são Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, mas há cidades em situação de emergência em todo o Nordeste, segundo o Ministério da Integração Nacional. E o panorama deve piorar.

A expectativa é que só volte a chover na maior parte da região em janeiro. Dos cinco estados mais afetados, apenas a Bahia registrou chuvas em novembro.

Na semana passada, o governo federal anunciou o envio de R$ 1,8 bilhão para a construção e ampliação de barragens, adutoras e sistemas de abastecimento que devem aumentar a oferta de água no Nordeste e no norte de Minas Gerais nos próximos anos.






Leia mais em Seca já afeta dez milhões de pessoas nos estados do Nordeste

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Defesa Civil Estadual conclui vistorias em caminhões para Operação Pipa nas regiões Oeste e Alto Oeste e agora segue para o Seridó

 
Dando continuidade à ação de vistorias dos caminhões que participarão da Operação Carro Pipa, do Governo do Estado, com o objetivo de minimizar a falta de água no interior do RN, o Tenente Coronel Josenildo Acioli, Coordenador Estadual de Defesa Civil do RN e oficial do Corpo de Bombeiros, esteve visitando, nesta quarta feira, dia 07, o município de Pau dos Ferros.
Na ocasião foram inspecionados cinco carros-pipa para atender os municípios de Riacho da Cruz, Tenente Ananias, Venha Ver, Água Nova, Marcelino Vieira e Rafael Fernandes. Não compareceram para a vistoria os carros-pipa de Rafael Godeiro, Almino Afonso, Ouro Branco e Encanto.
Em outubro, a Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc) credenciou pessoas físicas e jurídicas para o transporte e distribuição de água potável para consumo humano, através de carros pipas, em 27 municípios potiguares em situação de emergência, reconhecidos pelo Governo Estadual e que não foram contemplados com a Operação Pipa do Exército e nem com a primeira convocação de pipeiros realizada em setembro.
Na última terça feira, dia 6, a Defesa Civil Estadual esteve no município de Mossoró onde credenciou mais dois caminhões para incrementar a Operação, sendo um para abastecer a cidade de Carnaubais e outro para Campo Grande.
Nesta quinta feira, dia 8, a Defesa Civil do RN e sua equipe de trabalho estarão atuando em Caicó, região seridó do estado.