segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Insatisfeito pela perda de cargos no governo Dilma, Henrique Alves bate-boca com Alexandre Padilha e lembra o caso do mensalão do PT


A montagem do segundo escalão federal mal começou e a disputa por cargos entre o PMDB e o PT já ganhou dimensão de crise política.

Os ânimos acirraram-se a tal ponto que o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (foto), teve uma conversa tão áspera com o futuro ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), que beirou o rompimento.

É o que relata um dirigente do PMDB. Segundo ele, o bate-boca telefônico entre os dois na terça-feira da semana passada foi ríspido nos decibéis e no conteúdo.

"Parece que vocês não aprenderam com o mensalão. Depois não venham correr atrás do PMDB para resolver os problemas (do governo e do PT)", disse Alves ao ministro, revoltado com a notícia de que seu partido perderia o cargo mais estratégico do ministério e o comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Outro peemedebista explica que a referência ao episódio que ficou conhecido como escândalo do mensalão foi para lembrar ao ministro o momento mais crítico do governo Lula, quando o apoio do PMDB foi fundamental para manter a governabilidade.

O parlamentar acrescenta que Henrique deixou claro que seu partido não aceitava perder posições, sobretudo sem aviso prévio.

Segundo esse interlocutor, o ministro tentou acalmar Alves e contemporizar. "Não se preocupe. Vocês vão ter tudo lá (no ministério)", teria dito Padilha a Henrique de acordo com o peemedebista. "Não quero nada. Fique com tudo", reagiu Alves.

O nervosismo do líder do PMDB dá a medida exata da pressão que ele tem recebido. Vários deputados avaliam que Alves negociou mal e ainda permitiu que o partido saísse do embate carregando sozinho a pecha de fisiológico, embora todos tenham brigado por espaço.

Os insatisfeitos dizem que Henrique Alves se preocupou mais em construir sua candidatura à presidência da Câmara em 2013, conforme acordo com o PT, do que em defender os interesses da bancada peemedebista.

Reflexos - Henrique Eduardo Alves alertou ontem o candidato petista à presidência da Câmara, Marco Maia (RS), da possibilidade de a insatisfação da bancada com a perda de cargos no segundo escalão transformar-se em uma crise com reflexos na eleição na Casa.

Alves se reuniu com Maia e reclamou da troca de comando na Secretaria de Atenção à Saúde do ministério da Saúde. Padilha substituiu Antonio Beltrame, que tinha o apoio do PMDB, por Helvécio Magalhães, ligado ao PT de Minas.

O líder peemedebista acusou Padilha de atropelar o PMDB. "O partido não merecia a forma como foi feita (a substituição). Fazer sem conversar não vai dar certo, a bancada não vai aceitar. Queremos o direito de conversar e não sermos atropelados", reclamou Henrique.

"É melhor ser leal e dizer isso com franqueza do que a bancada responder de forma emocional e descoordenada na votação. Não quero que Marco Maia pague esse pato, que não merece", disse o deputado potiguar.

Alves demonstrou que o diálogo com Padilha está suspenso ao informar que não vai à cerimônia de transmissão de cargo no Ministério da Saúde, hoje.

Para evitar novas surpresas, a cúpula do PMDB na Câmara e no Senado vai se reunir no próximo dia 10 para fazer o levantamento de todos os cargos que o partido ocupa no segundo escalão e os postos que pretendem assumir. A lista será enviada a Dilma.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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