Ele foi deposto na sexta após processo rápido; país pode enfrentar sanções.

Presidente deposto do Paraguai, Fernando
Lugo,
se reúne com ex-ministros nesta segunda-feira
(25) (Foto: Amauri Arrais/G1)
se reúne com ex-ministros nesta segunda-feira
(25) (Foto: Amauri Arrais/G1)
O presidente destituído do Paraguai, Fernando
Lugo, se reúne com ex-ministros, colaboradores e a Frente Guasú, coalizão de
partidos de esquerda, na manhã desta segunda-feira (25) na sede do Partido País
Solidário, em Assunção, para definir os próximos passos da oposição.
O Paraguai foi
suspenso temporariamente do Mercosul e da Unasul (União das Nações
Sul-Americanas) até que a "ordem democrática seja restabelecida". O Paraguai
também teve suspensa sua participação na cúpula do Mercosul, que ocorre na
sexta-feira (29), em Mendonza, na Argentina. A decisão foi tomada em conjunto
por Argentina, Brasil, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e
Peru.
Por sua vez, o ex-presidente Lugo, que inicialmente aceitou a votação no Congresso, disse no domingo que o novo governo é ilegítimo e garantiu que ele é que irá à cúpula do Mercosul. Lugo também rejeitou o aceno do seu ex-vice-presidente, que pediu ajuda para gerenciar a crise com os vizinhos.
Petróleo e paralisações
Internamente, o novo presidente pode enfrentar sanções econômicas, como o corte no fornecimento de petróleo venezuelano anunciado pelo presidente Hugo Chávez no domingo.

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O presidente da Petropar, a estatal de petróleo paraguaia, Sergio Escobar, disse ao diário “ABC Color” que o país tem reservas de petróleo que garantem o abastecimento do país por ao menos dois meses, além de contratos com outras empresas, como a Petrobras.
Já a Frente pela Defesa da Democracia, que reúne
partidos de esquerda, centro-esquerda e movimentos sociais do Paraguai,
promete uma série de atos e paralisações pelo país pela renúncia do novo
presidente e o retorno de Lugo.
Federico Franco assumiu o governo do Paraguai na sexta-feira (22), após o impeachment de Fernando Lugo. O processo contra Lugo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos no interior do país. A oposição acusou Lugo de ter agido mal no caso e de estar governando de maneira "imprópria, negligente e irresponsável".
Ele também foi acusado por outros incidentes ocorridos durante o seu governo, como ter apoiado um motim de jovens socialistas em um complexo das Forças Armadas e não ter atuado de forma decisiva no combate ao pequeno grupo armado Exército do Povo Paraguaio, responsável por assassinatos e sequestros durante a última década, a maior partes deles antes mesmo de Lugo tomar posse.
O processo de impeachment aconteceu rapidamente, depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do então vice-presidente Franco, retirou seu apoio à coalizão do presidente socialista. A votação, na Câmara, aconteceu no dia 21 de junho, resultando na aprovação por 76 votos a 1 – até mesmo parlamentares que integravam partidos da coalizão do governo votaram contra Lugo. No mesmo dia, à tarde, o Senado definiu as regras do processo.
Na sexta, o Senado do Paraguai afastou Fernando
Lugo da presidência. O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista
foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Federico Franco assumiu a presidência
pouco mais de uma hora e meia depois do impeachment de Lugo.
Em discurso após o impeachment, Lugo afirmou que aceitava a decisão do
Senado.
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Mas, neste domingo, Lugo voltou atrás, disse que não reconhece o governo de
Federico Franco e que não deve, portanto, aceitar o pedido do novo presidente
para ajudá-lo na tarefa de explicar a mudança de governo a países vizinhos.
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