ISTOÉ teve acesso a sete inquéritos abertos pela Polícia Federal para
apurar os superfaturamentos na Ferrovia Norte-Sul que provocaram rombo de até R$
1 bilhão
Claudio Dantas Sequeira, ISTO É
Os desvios de verbas na ferrovia norte-sul somam R$ 1 bilhão só no trecho
entre Palmas (TO) e Anápolis (GO) foram superfaturados R$ 400 milhões a obra já
consumiu R$ 8 bilhões.
No início do mês, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente da Valec José
Francisco das Neves, o Juquinha, acusado de enriquecimento ilícito. Segundo os
autos do inquérito da Operação Trem Pagador, ele teria comandado um esquema que
desviou mais de R$ 100 milhões de obras da Ferrovia Norte-Sul, a mais extensa
via férrea do País.
ISTOÉ revela agora que o rombo provocado pelo esquema de Juquinha, que
comandou a estatal de ferrovias por oito anos, pode chegar à escandalosa cifra
de R$ 1 bilhão, dinheiro que teria abastecido não só as contas pessoais do
ex-presidente, familiares e ex-integrantes da cúpula da Valec, mas também o
caixa de partidos como PR e PMDB.
A estimativa é da própria PF, com base numa série de investigações em
andamento. Só na Delegacia de Crimes Financeiros da Polícia Federal em Goiás
foram abertos sete diferentes inquéritos que abarcam os quase 4,5 mil
quilômetros de extensão da ferrovia.
Ao longo da Norte-Sul, que já consumiu R$ 8 bilhões, correm suspeitas de
superfaturamento em materiais, como trilhos e dormentes, nas ações de
terraplanagem, escavações e aterros.
A PF encontrou ainda indícios de conluio entre empreiteiras, direcionamento
de licitações e subcontratação de empresas ligadas a políticos. As
investigações, que tiveram origem em fiscalizações do TCU, da CGU e denúncias do
Ministério Público, estão longe de terminar.
As investigações indicam que só no trecho entre Palmas (TO) e Anápolis (GO),
justamente o que ajudou a enriquecer Juquinha e sua família, foram desviados
mais de R$ 400 milhões.
Laudos técnicos que compõem os inquéritos mostram que a estrada de ferro
consumiu todo o orçamento previsto nos contratos com as construtoras Andrade
Gutierrez, SPA Engenharia, Constram, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa.
A Valec de Juquinha autorizou aditivos que atingiram o limite legal de 25% e
mesmo assim a obra chegou ao fim infestada de problemas estruturais, como a
falta de proteção vegetal de taludes e canais de drenagem superficial. O
resultado é a erosão de áreas que estão provocando a desestabilização dos
trilhos, inviabilizando o uso da ferrovia.
Não foram construídos oito pátios intermodais que estavam previstos em
contrato. Isso significa que, mesmo os trens sendo liberados para transitar na
estrada de ferro, eles simplesmente não têm onde ser carregados e descarregados.
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