Reportagem do jornal O Globo afirma que ele omitiu bens em declaração.

Wilder Morais (Foto: Diomício Gomes/O
Popular)
Wilder Morais (DEM-GO), secretário de
Infraestrutura do Estado de Goiás e suplente do senador cassado Demóstenes Torres
(sem partido), usou seu perfil oficial no microblog Twitter, na tarde desta
quarta-feira (11), para falar sobre supostos bens não declarados ao Tribunal de
Superior Eleitoral (TSE).
Na edição desta quarta-feira, o jornal o Globo informou que o
secretário, empresário do ramo da construção civil, omitiu boa parte de seus
bens na prestação de contas ao TSE. A reportagem, baseada em registros da
Junta Comercial de Goiás, mostra Wilder como sócio-proprietário de 24 empresas.
Na declaração de bens à Justiça Eleitoral são listadas 15 empresas, com
patrimônio declarado de R$ 14,4 milhões.
Suplente de Demóstenes usou o Twitter para
falarsobre bens (Foto: Reprodução/Internet)
Entre os empreendimentos não declarados, de acordo
com a reportagem, estão dois shopping centers: o Bouganville (Nove Administração
e Participações), em Goiânia, e o Brasil Park (Brasil Park Participação e
Investimentos), em Anápolis. Segundo a assessoria de
imprensa do secretário, ambos fazem parte do holding que inclui outras 13
empresas.
Férias
De acordo com a assessoria de imprensa do secretário, o suplente de Demóstenes assumirá a cadeira no Senado assim que voltar de férias, provavelmente no próximo dia 23. Ele está em viagem com a mãe e os dois filhos, mas o local não foi divulgado. O Senado já entrou em contato com os assessores de Wilder, informando que ele tem um prazo de 30 dias para tomar posse.
Novato na política, o democrata é bastante
conhecido em Goiás e ficou em evidência após as denúncias contra Demóstenes por
ser ex-marido de Andressa Mendonça, atual mulher do contraventor Carlos Augusto
Ramos, o Carlinhos
Cachoeira. Mãe dos dois filhos do empresário, de 4 e 6 anos, Andressa deixou
o marido, e um casamento de cinco anos, para morar com o contraventor.
A troca de maridos veio a público quando o então
senador usou o episódio para justificar os diversos telefonemas a Cachoeira.
Segundo interceptações da Polícia Federal, os dois se falaram por telefone quase
300 vezes em um ano. Demóstenes foi cassado nesta quarta-feira, acusado de usar
o mandato parlamentar para favorecer o contraventor. Ele fica inelegível até
2027.
Ascensão
Ascensão
Nascido na pequena Taquaral, a 80 km de Goiânia, Wilder morou na roça, teve problemas de saúde durante a infância e enfrentou a pobreza antes de se tornar multimilionário e um dos donos do Grupo Orca, holding que atualmente conta com cerca de 15 empresas e atua na construção civil, com incorporações e shoppings centers. Apesar da riqueza, pessoas próximas ao empresário o descrevem como um homem simples e bem-humorado.
Wilder mudou-se para a capital aos 17 anos em busca de um sonho: tornar-se engenheiro. Para financiar os estudos, conseguiu com um amigo três máquinas de datilografar e montou uma escola da datilografia. Frequentou cursinhos preparatórios para o vestibular e, em 1988, entrou no curso de engenharia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), onde formou-se em 1992.
Já no primeiro semestre do curso, conseguiu um estágio em uma construtora. Passou a engenheiro e, posteriormente, chegou a diretor-presidente da empresa. Em 1997, fundou, em sociedade com dois amigos da faculdade, sua própria construtora. Expandiu os negócios da empresa até criar o Grupo Orca, do qual é sócio majoritário.
A ascensão financeira e o respaldo empresarial de Wilder chamaram a atenção de Demóstenes Torres, que em 2009 o convidou para ser seu suplente na campanha de 2010. Wilder participou ativamente do processo eleitoral. Foi o segundo maior doador da campanha, com R$ 700 mil repassados oficialmente por meio de duas de suas empreiteiras. Em 2011, foi chamado pelo governador Marconi Perillo (PSDB) para assumir a Secretaria de Infraestrutura de Goiás, onde está atualmente.
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