Ex-presidente participou de abertura de evento em Paris ao lado de Dilma.
À Procuradoria, segundo jornal, Marcos Valério envolveu Lula no
mensalão.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva não quis comentar nesta terça (11), em Paris, as acusações feitas por
Marcos Valério, em
depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República em setembro, de que ele
tinha conhecimento do esquema do mensalão e teria autorizado empréstimos do
Banco Rural e do BMG para o PT.
"Não posso acreditar em mentiras", disse Lula após a
abertura do Fórum pelo Progresso Social, evento organizado pelo Instituto Lula e
pela fundação francesa Jean Jaurès, em Paris (veja no vídeo
acima). O encontro contou com participações do presidente da
França, François Hollande, e da
presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
Segundo reportagem publicada na edição desta terça
do jornal "O Estado de S. Paulo", Valério, apontado como operador do mensalão e
condenado a mais de 40 anos de prisão pelo STF, disse que Lula
autorizou empréstimos dos bancos Rural e BMG para o PT com objetivo de
viabilizar o esquema. Conforme a publicação, o dinheiro também foi usado
para pagamento de "despesas pessoais" de Lula.
voluntariamente a Procuradoria-Geral após ter sido condenado pelo STF pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em troca do novo depoimento e de mais informações sobre o esquema de desvio de dinheiro público para o PT, Valério pretende obter proteção e redução de sua pena.
Mais cedo, o Instituto Lula informou ao G1 que o ex-presidente não pretende se manifestar sobre a reportagem. Mas, segundo a assessoria do instituto, se mudar de ideia, Lula vai se pronunciar por meio de nota oficial.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim
Barbosa, afirmou que Ministério Público deve apurar a acusação, feita por
Marcos Valério, de que Lula sabia do esquema do mensalão. Durante intervalo da
sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao ser questionado por jornalistas
se as acusações deveriam ser investigadas, ele disse: "Eu creio que sim".
O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que "cabe a quem de direito tomar as providências" sobre o novo depoimento. "Cabe a quem de direito tomar providências. O que se deve destacar é que não há repercussão no processo da AP 470. Caberá ao Ministério Público avaliar. [...] Se o procurador entender que há elemento e que deve pedir instauração de inquérito, cabe a ele. Não emito entendimento porque sei do depoimento pelos jornais", afirmou o ministro.
Procuradoria não vai se
pronunciar
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto até o final do julgamento no STF. A Procuradoria já havia informado que novas informações repassadas por Marcos Valério não seriam incluídas na ação do mensalão, embora pudessem resultar na abertura de um novo processo em primeira instância, por exemplo.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto até o final do julgamento no STF. A Procuradoria já havia informado que novas informações repassadas por Marcos Valério não seriam incluídas na ação do mensalão, embora pudessem resultar na abertura de um novo processo em primeira instância, por exemplo.
Autor da denúncia do mensalão, o
ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza afirmou que a
abertura de um novo inquérito para investigar a eventual participação do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema dependeria
da apresentação de provas que apontassem a veracidade do depoimento de
Valério ao Ministério Público Federal.
O Instituto Lula informou ao G1 que ele não pretende se manifestar sobre a reportagem. Mas, segundo a assessoria do instituto, se mudar de ideia, Lula se manifestará por meio de nota oficial.
O PT divulgou nota nesta terça lamentando
a divulgação pela imprensa do depoimento de Valério à Procuradoria-Geral da
República com supostas denúncias contra o ex-presidente Lula. Para o partido,
"supostas afirmações" refletem apenas uma "tentativa desesperada de tentar
diminuir a pena de prisão que Valério recebeu do STF".
Segundo a nota, assinada pelo presidente do PT, Rui Falcão, o depoimento é
uma "sucessão de mentiras envelhecidas, todas claramente desmentidas". O partido
considerou "lamentável que denúncias sem nenhuma base na realidade sejam
tratadas com seriedade".
Mensalão
Durante os quatro meses de julgamento, o Supremo concluiu que o mensalão foi um esquema articulado de pagamento de uso de recursos públicos e privados para pagamento a parlamentares em troca da aprovação no Congresso de projetos de interesse do governo Lula e condenou 25 dos 37 réus. Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado a mais de dez anos de prisão, foi o "chefe" do esquema, o que ele nega. (Veja 10 conclusões do STF sobre o caso.)
Durante os quatro meses de julgamento, o Supremo concluiu que o mensalão foi um esquema articulado de pagamento de uso de recursos públicos e privados para pagamento a parlamentares em troca da aprovação no Congresso de projetos de interesse do governo Lula e condenou 25 dos 37 réus. Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado a mais de dez anos de prisão, foi o "chefe" do esquema, o que ele nega. (Veja 10 conclusões do STF sobre o caso.)
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