Ele lutava contra um câncer desde 2011 e passou por tratamento em Cuba.
Vice Maduro anunciou morte e disse que mobilizou as Forças
Armadas.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu na
tarde desta terça-feira (5), aos 58 anos, na capital Caracas, após mais
de um ano e meio de luta contra o câncer.
A morte ocorreu às 16h25 locais (17h55 de Brasília),
segundo o vice-presidente Nicolás Maduro, herdeiro
político de Chávez, que fez o anúncio em um pronunciamento ao vivo na
TV.
"Pedimos ao nosso povo para canalizar nossa dor em paz e tranquilidade. Suas bandeiras serão erguidas com honra e com dignidade", afirmou. "Vamos ser dignos herdeiros filhos de um homem gigante como foi e como sempre será na memória o comandante Hugo Chávez."
Chávez estava internado em um hospital militar na
capital, Caracas. Na véspera, um
boletim médico pessimista havia relatado uma piora no seu estado de
saúde.
O clima da população na capital, Caracas,
inicialmente era
de apreensão e silêncio, à espera dos próximos acontecimentos. Após o
anúncio da morte, uma
grande confusão tomou as ruas.
saiba
mais
A cúpula das Forças Armadas também apareceu na TV
estatal, para jurar
lealdade a Maduro e respeito à Constituição.
Com a morte de Chávez, A Constituição da Venezuela
prevê
a realização de novas eleições presidenciais no prazo de 30 dias.
Maduro, de 50 anos, é apontado como candidato quase
certo. Ele deve enfrentar a Henrique Capriles, oposicionista
derrotado por Chávez nas urnas em outubro.
Após o anúncio da morte de Chávez, Capriles adotou
um tom conciliador e falou em união nacional.
A luta contra o câncer havia impedido Chávez de tomar posse em 10 de janeiro, depois da reeleição obtida em outubro de 2012 para um terceiro mandato de seis anos.
Em janeiro, a Assembleia Nacional concedeu ao presidente uma permissão indefinida de ausência do país para tratar a doença, em Cuba, enquanto o Tribunal Supremo autorizou que a posse de Chávez fosse adiada para quando ele tivesse condições de saúde.
A oposição protestou fortemente contra essas decisões, exigindo que o governo desse informações mais claras sobre o estado de saúde do líder e sobre se ele tinha condições de continuar no governo, e clamando pela realização de novas eleições se necessário.
O governo retrucava pedindo "tempo" e "respeito à privacidade" do Chávez convalescente e acusando a oposição de tentativas de desestabilização.
Dilma Rousseff
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, disse que a morte de Chávez "deve encher de tristeza todos os latino-americanos".
Os presidentes do Uruguai, Jose Mujica, e da Bolívia, Evo
Morales, aliados de Chávez, anunciaram que estão viajando para Caracas nas
próximas horas.
Discurso agressivo
Horas antes de anunciar a morte de Chávez, Maduro havia feito um discurso agressivo na TV, em resposta aos crescentes boatos sobre o estado de saúde do presidente. Ele acusou os adversários políticos, EUA principalmente, de "conspiração" e disse que o presidente socialista enfrentava o momento "mais duro" desde sua última cirurgia.
O governo também anunciou
a expulsão de dois adidos militares americanos supostamente envolvidos em
"contatos não autorizados" com militares venezuelanos.
Após o anúncio da morte de Chávez, o presidente dos
EUA, Barack Obama, divulgou nota dizendo que deseja
um "novo relacionamento" construtivo com a Venezuela, rival aberta dos
norte-americanos durante os governos de Chávez.
Chávez lutava contra um câncer desde junho de 2011 e, após realizar um tratamento em Cuba contra a doença, havia voltado ao país natal em fevereiro deste ano.
Chávez foi um dos mais destacados e controversos
líderes da América Latina. Desde que assumiu o comando da Venezuela, em 1999, o militar
da reserva promoveu mudanças à esquerda, na política e na economia.
Chávez foi reeleito pela primeira vez em 2006, com mais de 62% dos votos, e novamente em 2012, com 54%.
Ele tentou chegar ao poder pela primeira vez em 1992 através de uma tentativa fracassada de golpe de Estado, que fez com que fosse preso.
Em 2002, já no comando do país, sofreu um golpe de Estado que o tirou do poder por quase 48 horas. Foi restituído por militares leais, com a mobilização de milhares de seguidores.
A Venezuela, que é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), possui uma economia dependente das exportações do combustível, tendência que Chávez queria mudar com a entrada do país no Mercosul. O país tem 30 milhões de hectares de terras cultiváveis, mas importa até 70% dos alimentos que consome. A população é de quase 29 milhões de habitantes.
O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro,
anuncia a morte de Hugo Chávez nesta terça-feira (5) (Foto:
Telesur/AFP)Desde que foi reeleito mais uma vez, em outubro de 2012, o líder venezuelano apareceu em público poucas vezes, a maioria delas para liderar conselhos de ministros no Palácio de Miraflores. Chávez também deixou de utilizar frequentemente sua conta na rede social Twitter.
A falta de informações e detalhes sobre a doença e a presença menos frequente de Chávez em eventos desde que anunciou a luta contra o câncer alimentaram os rumores de que seu estado de saúde poderia ser mais grave do que o governo queria divulgar.
Em 10 de junho de 2011, a imprensa venezuelana
noticiou que Hugo Chávez havia
passado por uma cirurgia de emergência em Cuba devido a um problema na
região pélvica. Rumores sobre a doença circularam nos dias seguintes, mas o governo
venezuelano negou que se tratasse de um tumor.
Em 30 de junho, no entanto, o presidente confirmou
que havia sido operado em razão de um câncer. Não foram revelados maiores
detalhes sobre a doença.
Chávez voltou à Venezuela dias depois e voltaria a
Cuba nos meses seguintes para sessões de quimioterapia. Em agosto de 2011, apareceu
com o cabelo raspado: "É meu novo visual", disse.
Em outubro do mesmo ano, após fazer exames médicos
em Cuba, o governante
declarou-se livre do câncer. "O novo Chávez voltou [...] Vamos viver e vamos
continuar vivendo. Estou livre da doença", afirmou, fardado e eufórico.
Hugo Chávez chegou a dizer que o câncer, que
atingiu cinco líderes sul-americanos – entre eles a presidente Dilma Rousseff e
o ex-presidente Lula – teria
sido induzido pelos Estados Unidos. "Não seria estranho se tivessem
desenvolvido uma tecnologia", disse
Em fevereiro de 2012, ele anunciou que seria operado novamente por uma lesão
na mesma região em que teve o tumor removido. A cirurgia também ocorreu em Cuba
e, posteriormente, ele passou por tratamento de radioterapia.
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