¶ 247 - No auditório montado no Estádio Nacional de Brasília para a festa de inauguração da arena, uma pessoa na plateia mereceu elogios especiais da presidente Dilma Rousseff. Era o governador do Ceará, Cid Gomes, que entregou ao Brasil o primeiro estádio da Copa, o Castelão. "Muitos diziam que não iríamos conseguir, mas tudo começou com o governador Cid, em Fortaleza", disse a presidente Dilma. "Hoje estamos em Brasília e na segunda, em Recife, estaremos entregando os seis estádios da Copa das Confederações", disse ela.
Dilma desenvolveu uma relação especial com Cid, depois de alguns atritos iniciais entre os dois, porque o governador cearense hoje desempenha um papel central no projeto de reeleição da presidente. É ele quem mina, por dentro do PSB, a candidatura do presidente nacional do partido, Eduardo Campos, que governa, com altíssimos índices de aprovação, o estado de Pernambuco.
Ao 247, Cid falou logo depois da inauguração do estádio e afirmou que não cumpre o papel de sabotador do projeto presidencial de Campos. Longe disso. "Não tenho nada contra o Eduardo, muito pelo contrário", afirma. "Ele tem liderança, grande capacidade política e administrativa, juventude e é também muito meu amigo".
Por que, então, ser contra a candidatura? "Este não é o melhor momento para ele nem para o partido. Temos que consolidar nossa força nos estados", afirma. Hoje, o PSB governa vários estados, como Pernambuco, Ceará, Paraíba, Piauí e Espírito Santo.
E uma posição contra a candidatura presidencial, que antes parecia restrita a Cid Gomes, começa a ser vocalizada por outros governadores, como, por exemplo, Renato Casagrande, do Espírito Santo. "Em vários estados, precisamos consolidar alianças regionais, inclusive com o PT, para reeleger nossos governadores".
Segundo ele, Eduardo Campos ainda poderá recuar e ser candidato em 2018, com apoio do próprio PT. "Em 2010, quando Dilma era uma incógnita, não tivemos candidato. Hoje, ela tem grande aprovação". No cenário de Cid, o Brasil caminha para ter, novamente, um embate polarizado entre PT e PSDB. "Deveríamos brigar pela vice na chapa da Dilma".
O governador cearense diz também que compreende a posição do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), que lidera a bancada na Câmara dos Deputados e diz que os insatisfeitos devem sair da legenda.
"O Beto é coerente. Defende a candidatura própria agora, como também defendeu em 2010, com o Ciro", diz ele, referindo-se ao irmão Ciro Gomes. Mas afirma que não pensa em sair do PSB. "Eu me sinto muito bem no partido e tenho muita afinidade com os socialistas", afirma. Cid garante que nem sequer cogitou a possibilidade de ingressar no PSD, de Gilberto Kassab.
Embora elogie Beto Albuquerque, Cid tem críticas ao senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). "Em 2010, por questões locais, ele foi contra a candidatura própria; agora, mudou de posição". Naquele ano, Rollemberg teve o apoio do PT, que elegeu Agnelo Queiroz, para disputar o Senado Federal. Agora, está rompido com Agnelo e sonha com o GDF.
Cid diz ainda que não tem planos muito precisos para 2014. Garante que não irá disputar o Senado Federal, como fazem muitos governadores ao fim de dois mandatos, e sonha com uma posição no Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington.
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