Frase foi dita ao dispensar capa cerimonial usada por Bento 16; em 3 dias, papa já deu amostra do que deve ser o 1º pontificado de um jesuíta.
Os primeiros três dias de pontificado do Papa
Francisco já deram ao mundo uma amostra do que será um jesuíta, pela
primeira vez na história, como líder dos 1,2 bilhão de católicos no mundo.
Esse foi apenas um pequeno sinal de muitos nestes dias de que, como comentou um dos mais ácidos colunistas italianos, Massimo Franco, do jornal "Corriere Della Sera", "a era do Papa-rei e da corte do Vaticano acabou".
Primeiros dias de pontificado de Francisco
foram
pontuados por vários sinais de possíveis mudanças
(Foto: Gettyimages/BBC)
pontuados por vários sinais de possíveis mudanças
(Foto: Gettyimages/BBC)
Era só olhar os rostos chocados de muitos dos membros da corte quando perceberam de repente o significado do que havia acontecido e entenderam que aquilo realmente havia acabado.
Outro momento da verdade ocorreu quando o Papa
Francisco quebrou os lacres do Apartamento Papal no Palácio Apostólico para
tomar posse de sua nova casa.
Nomeações
O novo Papa ainda não deu nenhuma indicação de sua escolha para o segundo cargo na hierarquia do Vaticano, o de secretário de Estado. Claramente, os cardeais e monsenhores italianos que gerenciavam o Vaticano durante o pontificado de Bento 16 gostariam de ser mantidos em seus cargos (todos os altos cargos do Vaticano expiram quando há um posto vacante na Santa Sé). Mas muitos ficarão desapontados.
O
Papa Francisco espera fazer suas nomeações em seu próprio ritmo e em seu próprio
tempo, e deve fazer mudanças significativas em questão de semanas, conforme
a lenta burocracia do Vaticano avance.
Após eleição, papa foi pessoalmente a hotel
onde
estava hospedado para pagar conta e buscar malas
(Foto: Gettyimages/BBC)
estava hospedado para pagar conta e buscar malas
(Foto: Gettyimages/BBC)
O que vem fascinando os vaticanistas é que o novo Papa não tem um secretário ou assessor pessoal que o siga em todos os lados como George Gaenswein fazia com Bento 16.
Poucas
horas após sua eleição, o novo pontífice escapou do Vaticano em um carro comum
para rezar na basílica de Roma, onde o fundador de sua ordem rezou séculos
antes. E
então pediu ao motorista que parasse no hotel para clérigos no centro, onde
havia se hospedado em Roma antes do conclave, para pagar suas contas e tomar
seus pertences.
Ele
já pediu aos colegas bispos da Argentina que não gastem seu dinheiro para viajar
a Roma para sua cerimônia de posse, mas para doarem o dinheiro da viagem aos
pobres. Por isso, as pessoas devem se preparar para algumas novas surpresas.
Líder dos jesuítas é chamado
popularmente de 'Papa Negro'
(Foto: Divulgação / Companhia de Jesus)
popularmente de 'Papa Negro'
(Foto: Divulgação / Companhia de Jesus)
'Papa negro'
Os jesuítas não são somente a maior ordem religiosa na Igreja Católica, mas também a mais revolucionária. Fundada por um soldado que se tornou místico, Santo Inácio de Loyola, no século 16, ela tem uma tradição de rigor intelectual e espiritual que sugere que o Vaticano está prestes a passar por uma reformulação, com implicações enormes para o futuro da Igreja Católica Apostólica Romana no século 21.
A Companhia de Jesus, para dar o nome oficial da ordem, apesar de proclamar sua lealdade incondicional ao Papa em Roma, já esteve em vários períodos na história envolvida em atritos com a Cúria Romana e foi até mesmo reprimida em várias partes do mundo, para reemergir posteriormente.
Antes do conclave, houve especulações sobre a possibilidade de o conclave escolher um cardeal africano como o primeiro Papa negro da Igreja Católica. Em vez disso, os cardeais-eleitores escolheram esse jesuíta de 76 anos cuja ordem é chefiada por um sacerdote chamado de superior geral, em homenagem à origem militar de seu fundador. Ele também é conhecido popularmente como "o Papa Negro" por conta da cor de seu hábito.
O atual líder da Companhia de Jesus é um padre espanhol, Adolfo Nicolás, cujo escritório fica em frente ao Vaticano. Ele imediatamente enviou uma mensagem de congratulações ao seu companheiro jesuíta após a eleição.
Vale a pena lembrar que foi um ex-"Papa Negro", o padre Hans Kolvenbach, o primeiro a quebrar a tradição de manter o cargo de superior geral até a morte, como era a tradição também com os Papas.
Ele renunciou ao cargo em 2008, ao completar 80 anos, sugerindo um novo precedente que os "Papas Brancos" também poderiam seguir.
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